Capítulo 021: O Ator Premiado
— Mãe, não é nada tão complexo. Nós apenas ficamos confusos com algumas atitudes do tio, da tia Fabiana e dos tios Oliveira. Expressamos nossas dúvidas de forma sincera, sem segundas intenções — disse Pérola com um sorriso leve.
Arthur, ao lado dela, sentiu o canto do olho tremer ao vê-la mentir sem nem piscar. No entanto, pensou ele, as palavras da irmã não estavam tecnicamente erradas. Era fato que o tio não avisou sobre o retorno — ele não acreditava naquela história de "surpresa" — e que a família Oliveira foi extremamente indelicada ao aparecer sem convite.
— É mesmo? — Cecília olhou para ela com desconfiança.
Pérola assentiu, mantendo o sorriso: — Com certeza.
Então, suavizando a expressão, acrescentou: — Mas, mãe, não acha que esse alvoroço todo que o tio e a tia Fabiana causaram logo na chegada é um pouco exagerado?
— Seu tio explicou isso. Disse que, como as carreiras deles foram construídas no exterior, eles precisam começar do zero aqui e quiseram aproveitar a oportunidade para criar um "momentum" — explicou Cecília. Embora a justificativa de Zeca parecesse lógica, ela não aprovava aquele método. Criar prestígio às custas do nome das famílias Paes e Oliveira não era algo que a agradasse.
— Se é para criar prestígio ou apenas para esfregar na cara de todos que eles também fazem parte das famílias Paes e Oliveira, só eles sabem — comentou Arthur, com um tom sarcástico.
Cecília o repreendeu com o olhar: — Eles ainda são seus tios, não seja rude.
Apesar da bronca, as palavras do filho ecoaram na mente de Cecília.
Não se deve desejar o mal, mas é preciso estar alerta.
Pelo pouco contato que teve hoje, ela sentiu que Zeca e Fabiana estavam diferentes de dez anos atrás. Ela não sabia dizer exatamente o quê, mas confiava mais nos próprios filhos do que em parentes distantes. Se Pérola e Arthur não gostavam deles, ela manteria uma distância segura para não aborrecer os filhos.
— Vocês dois... enfim, eu sei que têm seus motivos e julgamentos próprios. Mas tomem cuidado. Às vezes é melhor guardar certas opiniões para si do que demonstrar tudo tão claramente. Ser direto nem sempre é a melhor estratégia.
Os irmãos assentiram. Nenhum deles era, de fato, "direto" por natureza. Arthur fora incisivo porque percebera o desconforto de Pérola; Pérola fora direta para apoiar o irmão e não deixá-lo falando sozinho.
— Vou descer agora. Vocês se organizem e desçam logo. Esqueçam o resto da família Oliveira; aquele rapaz, o Arthur Oliveira, é uma boa pessoa. Ele me explicou em particular que só os seguiu para tentar contê-los, mas não conseguiu. Como vocês são da mesma idade e amigos, não podem ignorá-lo.
— Vou falar rapidinho com a minha irmã e já descemos — disse Arthur Paes.
Cecília olhou para os dois profundamente e saiu, fechando a porta com carinho. Ela sorriu ao pensar que os dois estavam trocando segredos; ver a união dos filhos a deixava feliz.
Dentro do escritório, Arthur perguntou: — Maninha, tem algo errado com aqueles dois, não tem?
Pérola sentou-se no sofá e arqueou uma sobrancelha. — Por que pergunta?
— Você sempre viveu no seu mundo da música. Ultimamente, tem ficado menos no estúdio e até ajudou a mamãe no jardim. Eu achei que era por causa daquele encontro às cegas, mas hoje vi que não. Você nunca demonstra desgosto por alguém de forma tão óbvia sem um motivo forte.
Pérola percebeu que, apesar de seus esforços para se conter, o irmão a conhecia bem demais. Em vez de confirmar, ela mudou de assunto: — Você está no último ano do colégio. Os estudos estão muito puxados?
Ela sabia que, para o brilho intelectual de Arthur, o ensino médio era fácil. Ele era tão capaz quanto ela fora na época em que pulou séries.
— Está tranquilo — respondeu ele, humilde.
— Já que está tranquilo, comece a frequentar mais a empresa do papai.
Arthur entendeu o recado imediatamente, mas quis confirmar: — Você acha que eles vão tentar algo contra o Grupo Paes?
Pérola sabia que Zeca e Fabiana não tinham competência para derrubar a empresa sozinhos, mas após dez anos de planejamento, certamente teriam infiltrados lá dentro. Na vida passada, Pérola não entendia de negócios e, quando assumiu as rédeas após a tragédia, agiu com punho de ferro, o que impediu qualquer sabotagem sob seus olhos. Mas agora, ela queria agir antes que o estrago fosse feito.
— Ficar de olho não faz mal, mas foque apenas nos assuntos da empresa. Não se sobrecarregue com o resto.
Arthur ia dizer que tinha energia de sobra para ajudá-la em tudo, mas ao encontrar o olhar sereno e inquestionável da irmã, engoliu as palavras. Ele sentia que Pérola havia se tornado muito mais imponente ultimamente — uma autoridade silenciosa que trazia segurança.
Como ela ficou tão forte se só entende de música?
, ele se perguntava, mas decidiu confiar nela cegamente.
Minutos depois, eles desceram. Ao vê-los, Arthur Oliveira acenou com entusiasmo. Eles conversaram por um tempo sobre amenidades. Arthur Oliveira estava curioso sobre o encontro de Pérola com Thiago, mas não perguntou na frente dos outros. De repente, ele se lembrou de algo: — Pérola, você já ouviu falar de
Silas
?
As mãos de Pérola sobre os joelhos se contraíram por dois segundos. — Nunca ouvi. Quem é?
— Eu imaginei. Você não liga para essas coisas. Silas tem vinte e quatro anos e ganhou prêmios de melhor ator aos vinte. Ele fez carreira internacional e dizem que está para voltar ao país.
Arthur Oliveira mencionou Silas apenas porque ele compartilhava o mesmo sobrenome de Thiago.