Capítulo 019: Operação de Mestre
— Além disso — continuou Arthur Paes, dirigindo-se aos familiares de Fabiana —, por que o segundo tio, a segunda tia e os primos da família Oliveira vieram todos juntos? Por acaso a tia Fabiana foi primeiro para a casa dos Oliveira e vocês a acompanharam nesta visita à nossa casa? Se foi isso, então...
Ele olhou para Zeca Paes, que o observava no meio da multidão com um olhar indecifrável, e disse: — Então, tio, você agiu errado.
— Nós entenderíamos se você tivesse ido direto para a casa da noiva ao desembarcar, afinal, como genro, é seu dever visitá-los após tantos anos fora.
— Mas tio, os primos são da nossa geração e nos conhecemos, então uma certa falta de formalidade não é problema. Contudo, o segundo tio e a segunda tia Oliveira são figuras respeitadas em São Paulo e nossos superiores. Se eles viriam à nossa casa, o senhor deveria ter nos avisado com antecedência para que pudéssemos nos preparar e não sermos rudes com convidados tão ilustres.
— Agora, com nossos pais fora, apenas eu e minha irmã tivemos que improvisar para receber visitas tão inesperadas. Isso é extremamente indelicado da nossa parte.
— Se o senhor tivesse dado um telefonema... Enfim, não vamos remoer isso.
Arthur olhou para Zeca com uma mistura de dúvida e seriedade: — Gostaria de saber se o tio informou meus pais sobre sua chegada. Se não, vou ligar para eles agora mesmo para que voltem rápido.
— Tio, você foi muito descuidado! Mesmo que não avisasse sobre a vinda dos convidados, deveria ao menos ter avisado sobre seu retorno. Se eu não estivesse cansado de estudar e resolvesse olhar o celular, nem saberia que meu próprio tio já estava no país.
— Descobrir pela internet que um familiar voltou... as pessoas podem pensar que a nossa família está desunida.
— Mas isso não cabe a nós, os mais novos, julgar. Talvez o senhor tenha avisado meus pais e eles, na correria, esqueceram de nos passar. Se foi esse o caso, peço desculpas por ter interpretado mal o seu silêncio, mas não nos avisar sobre a vinda de convidados foi, de fato, um tanto...
Arthur parou por ali, deixando o restante no ar. Ele disse tudo o que precisava ser dito, deixando-os sem palavras, mesmo que estivessem furiosos.
A expressão do segundo tio Oliveira e de sua esposa, os pais de Jade, era uma mistura de cores. Independentemente de terem vindo com Fabiana ou não, entrar na casa de alguém sem avisar era uma gafe tremenda. Eles não tinham como refutar as palavras de Arthur, e serem chamados de "indelicados" por um jovem na frente de todos era uma humilhação difícil de engolir.
Fabiana e Zeca também ficaram rígidos por um momento, embora fossem mais controlados. Por dentro, ambos ferviam de raiva.
Que audácia desse moleque! Mal chegamos e ele já nos dá esse xeque-mate!
Zeca olhou profundamente para o sobrinho e disse, com a voz neutra: — Nós não fomos primeiro para a casa dos Oliveira. Viemos direto para cá. A notícia do nosso retorno vazou e fomos cercados por jornalistas; sua tia Fabiana não conseguiu se desvencilhar para ir para a casa dela, então veio comigo. Como ela é minha noiva, não faz diferença vir primeiro para a casa dos Paes ou dos Oliveira.
— Quanto aos tios e primos dela, eles souberam do cerco da imprensa e vieram nos ajudar. Por isso, acabamos vindo todos juntos.
— Sobre não avisar seu pai e sua mãe com antecedência, eu queria fazer uma surpresa. Mas liguei para eles assim que o avião pousou. Se eles não contaram a vocês, deve ser porque estavam ocupados com o trabalho e esqueceram.
Ricardo e Cecília, que se aproximavam, ouviram exatamente essa última parte. Eles olharam confusos para Arthur, que estava parado no topo da escada da entrada.
Os dois se entreolharam.
Uma hora atrás, nós não ligamos para o Arthur contando sobre a volta do Zeca e pedindo para ele avisar a Pérola? Como o Zeca diz que o Arthur afirmou que nós não avisamos?
Mesmo sem entender, Ricardo e Cecília não desmentiriam o filho em público. Se o filho, sempre tão ajuizado, estava mentindo, haveria um motivo que eles esclareceriam em particular depois.
Pérola e Arthur viram os pais chegarem, mas não demonstraram um pingo de ansiedade por terem sido pegos na mentira. Isso intrigou Ricardo e Cecília ainda mais.
Pérola inicialmente não queria que Arthur se tornasse um alvo, mas ao vê-lo dominar a conversa sem dar espaço para interrupções, ela decidiu não interferir. Se Arthur estava sendo tão incisivo, é porque também tinha percebido algo.
Embora ela quisesse carregar o fardo de destruir os dois sozinha para poupar a família, agora via que isso seria impossível. Ter os pais e o irmão em alerta seria até melhor para a segurança deles.
— O que está acontecendo aqui fora? — perguntou Cecília, aproximando-se. Ela olhou para Pérola, fingindo irritação: — Pérola, seu tio e a tia Fabiana ficaram anos fora, não é certo deixá-los parados na porta. Além disso, temos convidados. Vocês dois foram muito indelicados, não foi assim que eu os ensinei.
— Realmente, fomos indelicados — admitiu Pérola, obedientemente.
Então ela acrescentou: — Mas mamãe, não fique brava conosco. Eu e o Arthur não víamos o tio e a tia há anos e não sabíamos que chegariam hoje. Foi um choque vê-los aqui de repente, ficamos emocionados demais e travamos.
— Além disso, é a primeira vez que recebemos convidados como o segundo tio e a segunda tia Oliveira, que entram na casa dos outros sem avisar. Não sabíamos como agir, por isso essa cena...
Já que Arthur tinha começado a provocar, ela não desmentiria o irmão; pelo contrário, colocaria mais lenha na fogueira. Com um sorriso de desculpas, como se não notasse o rosto lívido dos Oliveira, ela disse: — Tios, não fiquem zangados. Não estou criticando suas maneiras, é que realmente nunca passei por uma situação dessas e não soube como lidar. Peço perdão.
Os Oliveira: — ...
Os outros: — ...
Arthur Oliveira: — ... (Segurando uma gargalhada histérica por dentro!)
Arthur Oliveira estava adorando ver os tios, que sempre o incomodavam na empresa, sendo humilhados. Ele fora enviado ali pelos pais justamente para garantir que ninguém da família fizesse papel de bobo, mas agora via que era tarde demais.
Fabiana Oliveira, com o rosto rígido, tentou se defender: — Vir sem avisar foi, de fato, uma falha nossa, mas foi uma emergência. Além disso, pensei na amizade entre as famílias e, como viemos com o Zeca e a Fabiana, acabei não tratando a casa dos Paes com a formalidade que trataria estranhos...
Aquilo soou como se os Paes estivessem fazendo tempestade em copo d'água ou que não valorizassem a amizade tanto quanto os Oliveira.
Ricardo permaneceu em silêncio. Cecília, mantendo seu sorriso elegante, rebateu: — Não é nada grave, não fiquem parados aí.
— Pérola e Arthur receberam uma educação muito tradicional e rígida, às vezes falta-lhes flexibilidade. Eles acham que qualquer visita sem aviso é uma quebra de etiqueta. Vou ensiná-los que, entre amigos próximos, o aviso é dispensável.
A Sra. Oliveira ficou vermelha de raiva.
Que audácia da Cecília, ironizando as minhas maneiras!
Antes que pudesse falar, Cecília continuou: — Vamos entrar. Zeca e Fabiana voaram por horas e ainda foram cercados pela imprensa. Devem estar exaustos.
Ela começou a dar ordens: — Dona Aurora, prepare o chá e os lanches. Temos muitos convidados, certifique-se de servir os doces que os jovens gostam.
— E levem as malas do Zeca e da Fabiana para os quartos que eu já tinha deixado preparados.
— Eles ficaram anos fora, precisamos comemorar. Aproveitando que os tios e os primos Oliveira estão aqui, prepare o jantar para todos. Será uma noite animada.
...
A sequência de ordens de Cecília foi avassaladora. Ninguém conseguiu interromper. Mesmo frustrados, tiveram que agradecer a "hospitalidade" dela, que pensara em tudo, inclusive em já ter os quartos prontos.
Pérola e Arthur se entreolharam e sentaram-se no sofá, tornando-se espectadores silenciosos de como os outros pareciam ter engolido uma mosca.