Capítulo 018: O Primeiro Embate
Cerca de uma hora depois, antes mesmo de Ricardo e Cecília chegarem, os protagonistas do escândalo virtual surgiram nos portões da mansão Paes, acompanhados por membros da família Oliveira, incluindo Arthur e Jade.
Pérola usava um vestido rosa claro em seu estilo vintage favorito, com o cabelo parcialmente preso por um grampo de madeira. Uma beleza clássica absoluta. Ela estava parada à porta principal, com o irmão ao seu lado em roupas casuais.
Arthur Oliveira acenou com alegria ao vê-la, mas percebeu que o olhar dela estava fixo em Zeca e Fabiana. Ela não tinha uma expressão específica, mas era a primeira vez que ele a via observar alguém com tanta intensidade. Ele pensou:
Será que ela é muito próxima do tio, mesmo com a distância?
— Pérola! — Fabiana foi a primeira a falar, acenando com entusiasmo fingido. — Dez anos se passaram, você cresceu tanto!
Pérola observou Fabiana se aproximar, focando em seu vestido vermelho escuro. Ela reconhecia aquela peça de uma revista de moda que pedira para as criadas assinarem desde que renascera. Fabiana era uma designer de moda de certa fama e aquele vestido era sua nova criação. Aos trinta anos, ela tinha um bom corpo e muitos seguidores em seu nicho.
Esmagá-los fisicamente seria fácil, mas Pérola queria jogar. Ela tinha tempo. Thiago ficaria na cidade por três anos, e ela pretendia recusar trabalhos distantes para ficar em São Paulo e destruí-los em seu próprio campo — inclusive superando Fabiana no mundo da moda. Esse plano começou no dia em que aceitou a parceria com Lara.
Fabiana tentou abraçá-la calorosamente, mas Pérola esquivou-se sutilmente. Ela notou o lampejo de irritação nos olhos de Fabiana, que logo foi mascarado.
Uma mestre em enganar
, pensou Pérola.
— Sinto muito, não costumo ser muito física com as pessoas — disse Pérola com um sorriso doce e carregado de desculpas. Ninguém duvidaria da sinceridade dela.
Jade, entre os acompanhantes, fez um bico de desprezo:
Que fingida!
Mas nem ela negou o fato, pois sabia que Pérola era reservada.
Arthur Oliveira, querendo ajudar, reforçou: — É verdade, tia. A Pérola sempre foi assim. Tirando a família, só a vi ser próxima da Lara.
Com Pérola mantendo aquele sorriso impecável de desculpas, Fabiana não pôde insistir sem parecer rude. Apenas o irmão, Arthur Paes, lançou um olhar estranho para a irmã. Ele sabia que, embora reservada, ela nunca recusaria um abraço de um familiar por educação.
Minha irmã não gosta nada dessa tia Fabiana!
, concluiu ele.
Pérola notou o olhar do irmão e sorriu para ele de forma cúmplice. Arthur entendeu: a irmã sabia que ele tinha percebido e não se importava.
— Entendo... desculpe, querida. Fiquei tão emocionada que esqueci seus hábitos — disse Fabiana, analisando Pérola de cima a baixo. Como Pérola estava nos degraus da entrada e Fabiana no chão, ela tinha que olhar para cima. A postura digna e o olhar de Pérola davam a Fabiana uma sensação incômoda de estar sendo "olhada de cima".
Na mente de Fabiana e Zeca, Pérola era o elo mais fraco — uma artista que só entendia de música e não representava ameaça. Ver tamanha presença e beleza naquela "ameaça nula" a incomodava profundamente.
Engolindo o desconforto, Fabiana voltou-se para o irmão: — E você deve ser o Arthur, certo?
Arthur Paes era o alvo principal: o herdeiro legítimo. Mesmo com dezessete anos, não podia ser subestimado. Fabiana decidiu deixar Pérola de lado por enquanto; após destruir o resto da família, cuidaria dela.
Arthur assentiu friamente: — Sim. — Nem caloroso, nem rude.
— Você era pequeno quando saí, não deve se lembrar. Sou Fabiana Oliveira, noiva do seu tio. Pode me chamar de tia, como sua irmã faz.
Arthur apenas balançou a cabeça. — Olá. — Ele olhou para ela com uma dúvida estampada no rosto: — Pode ser rude da minha parte, mas gostaria de perguntar: sendo a senhora da família Oliveira, por que, após tantos anos fora, não foi primeiro visitar sua própria família em vez de vir direto para a casa dos Paes?
Seu olhar então varreu o grupo de Oliveiras atrás dela, aumentando o tom de confusão em sua voz.