Capítulo 014: Insistência Incômoda
Pérola se virou e viu um grupo de jovens se aproximando. O homem à frente era alguém que ela não conhecia nesta vida, mas de quem se lembrava bem da anterior.
Luan Rocha
.
Ele não era uma figura lendária, mas sim o fundador da
Rocha Filmes
, um concorrente ferrenho da
Starlight Media
. Na vida passada, sempre que encontrava Thiago em festas, Luan lançava comentários ácidos e tentava sabotar os negócios de Thiago. Na verdade, Thiago apenas o ignorava por considerar suas táticas infantis.
Pérola, com a educação de uma herdeira, fez um leve aceno, apesar de sua total falta de simpatia por ele. — Olá.
Lara sussurrou: — Você o conhece?
Pérola balançou a cabeça negativamente. Lara franziu o cenho; se Pérola, que vivia imersa na música, não o conhecia, ele certamente não era do círculo artístico nem da alta elite tradicional de São Paulo.
— Com quem tenho o prazer de falar? — perguntou Pérola.
— A Srta. Paes pode não me conhecer, mas eu sou seu admirador de longa data. É uma honra encontrá-la aqui. Sou Luan Rocha, CEO da
Rocha Filmes
. — Ele estendeu um cartão de visitas.
Pérola pegou o cartão, olhou brevemente e disse: — Prazer. Sinto muito, mas não tenho um cartão comigo.
Na verdade, ela tinha, mas não queria dar.
— Não tem problema! Como eu disse, sou seu fã, não preciso de cartão — respondeu Luan com um sorriso galanteador, embora estivesse fervendo por dentro.
Uma musicista de renome internacional sem cartão? Ela só não quer me dar!
Pérola manteve a expressão neutra. — Se não houver mais nada, vamos entrar. Desejo ao Sr. Rocha uma ótima noite no clube.
Ela se virou para sair, mas Luan não desistiria tão fácil. — Espere, Srta. Paes!
Pérola franziu a testa, visivelmente impaciente. — O Sr. Rocha ainda tem algo a dizer?
O funcionário do clube, que observava a cena, ficou alarmado.
Então ela é a Srta. Paes! A mulher que teve o encontro com o chefe!
Ele decidiu discretamente enviar uma mensagem para o gerente do clube. Se alguém estava importunando a possível futura patroa, o chefe precisava saber.
— Já que tivemos a sorte de nos encontrar, teria a honra de lhe oferecer uma bebida? — perguntou Luan.
Pérola raramente deixava suas emoções transparecerem, mas a insistência dele a estava atrasando. Ela queria subir, verificar se Thiago estava com Lucas, talvez forçar um "encontro casual" no corredor.
— Sinto muito, eu não bebo — respondeu ela.
Luan ficou estático. Ele achou que, em um lugar público, Pérola manteria as aparências e não o rejeitaria de forma tão ríspida diante de testemunhas. — A Srta. Paes não bebe? Peço desculpas, eu não sabia. Mas podemos tomar um suco ou um coquetel sem álcool, dizem que os daqui são excelentes.
Isso já passava dos limites da cortesia. Pérola escureceu o olhar: — Sr. Rocha, é nosso primeiro encontro. Aceitar o seu cartão já foi uma deferência. Não torne as coisas desagradáveis.
Luan ficou rígido, tentando manter o sorriso. Havia muitas pessoas assistindo e seu ego não suportaria a humilhação. — Acho que a senhorita me entendeu mal. Só quero ser seu amigo.
— Quem me conhece sabe que não costumo fazer amizades com estranhos — disse Pérola com uma frieza educada.
Lara, perdendo a paciência, interveio: — Escuta aqui, Sr. Rocha ou seja lá o que for. A Pérola está sendo educada, mas você está abusando. Só porque ela não sai muito, você acha que qualquer um pode vir e se tornar "amigo" da herdeira dos Paes?
As palavras de Lara foram arrogantes, mas ninguém ao redor discordou. Se Pérola fosse acessível, os outros já teriam se aproximado.
— Eu não tive má intenção — insistiu Luan, fazendo-se de vítima para a plateia. — Só queria demonstrar minha admiração. Se meu comportamento foi inadequado, peço sinceras desculpas.
Lara cerrou os dentes. O sujeito era esperto; estava tentando fazer parecer que elas eram as vilãs arrogantes que desprezavam os outros por causa do berço. Isso poderia manchar a reputação impecável de Pérola.
Justo quando Lara ia retrucar para virar o jogo, Pérola abriu a boca.