No dia em que as crianças entraram no ensino fundamental, Arthur tomou uma decisão importante.
Ele destinou 10% dos lucros do Grupo Cavalcanti para a criação de um projeto permanente de saúde materno-infantil.
Esse projeto foi desenhado especificamente para apoiar pessoas comuns cujas famílias foram desestruturadas devido a erros de diagnósticos médicos.
Essa iniciativa gerou uma repercussão enorme na sociedade.
Quando as pessoas mencionavam Arthur Cavalcanti, não falavam mais apenas do magnata frio e bilionário, mas de um empresário humano e com responsabilidade social.
Eu, por minha vez, assumi o cargo de diretora honorária desse projeto.
Meu círculo social tornou-se cada vez mais autêntico; em vez de chás beneficentes com socialites fúteis, eu passava a maior parte do tempo com voluntários em clínicas rurais por todo o país.
Certo dia, logo após retornar de um posto de assistência médica, recebi uma ligação da professora da Clarinha.
A voz dela estava carregada de alegria.
— Sra. Cavalcanti, a Clarinha ganhou o prêmio especial no concurso de pintura da escola hoje. O conteúdo do quadro dela é muito interessante; acredito que a senhora precisa vir ver.
Arthur e eu corremos imediatamente para a escola. No auditório da premiação, Clarinha estava no palco segurando seu troféu.
O telão exibia sua obra premiada: uma tela a óleo vibrante que mostrava uma enorme bolha colorida.
Dentro da bolha, Arthur, eu e as três crianças estávamos de mãos dadas sob o sol.
Fora da bolha, várias sombras negras pareciam estar se dissipando.
O discurso de agradecimento da Clarinha foi apenas uma frase: "Se o amor da família for forte o suficiente, todas as sombras ruins serão derretidas pela luz do sol".
Os aplausos da plateia foram incessantes.
Dona Helena, sentada na audiência, enxugava as lágrimas, orgulhosa da sensibilidade da neta.
O Sr. Augusto, raramente emocionado, também estava com os olhos marejados e a postura ereta de orgulho.
Arthur me abraçou forte; eu conseguia sentir seu corpo tremer levemente.
A sensação de ser compreendido por um filho e curado pela própria família é uma riqueza que dinheiro nenhum pode comprar.
Após o evento, a família Cavalcanti reuniu-se para um jantar simples.
Na mesa, Arthur anunciou uma novidade:
— Pretendo transferir gradualmente as operações diárias do grupo para o Ricardo e para a equipe de gestão executiva. No futuro, quero passar mais tempo com a Alicinha e as crianças.
Dona Helena foi a primeira a comemorar: — Isso mesmo! O dinheiro nunca acaba, mas a companhia é o que mais importa.
O Sr. Augusto, embora aposentado, tinha a sabedoria de quem viveu décadas no mundo corporativo.
— Arthur, o fato de você conseguir abrir mão desse prestígio mostra que você realmente amadureceu.
Naquela noite, Arthur me levou à beira do rio, o mesmo lugar do nosso primeiro encontro.
A brisa soprava suave, levando embora o calor do dia. Ele tirou uma caixa de veludo do bolso e a abriu diante de mim.
Dentro, havia um par de alianças de design clássico, gravadas com as iniciais dos nossos nomes.
— Alicinha, nosso casamento original foi grandioso, mas naquela época meu coração estava cheio de segredos e inseguranças. — Ele segurou minha mão e deslizou o anel no meu dedo com seriedade. — Este anel representa um novo Arthur Cavalcanti, que usará todo o tempo que lhe resta para amar você.
Olhei para o brilho no meu dedo e as lágrimas embaçaram minha visão.
Quem poderia imaginar que aquele laudo médico, que parecia uma sentença, acabaria florescendo em um amor tão esplêndido?
O "impossível" torna-se pálido e sem força diante do amor verdadeiro.
Segurei a mão dele, sentindo o calor de sua palma larga.
— Arthur, não importa o que aconteça no futuro, contanto que você esteja ao meu lado, você será o meu maior milagre.
O luar refletia no rio, criando ondas prateadas.
Abraçamo-nos à beira da água, deixando o vento bagunçar nossos cabelos.
Naquele instante, o tempo pareceu parar.
Não havia o homem mais rico do país, não havia boatos, nem as intrigas do mundo dos negócios.
Havia apenas um casal comum, profundamente apaixonado.