Com as crianças na escola, passei a ter mais tempo para me dedicar aos trabalhos da fundação.
A "Fundação Alice & Arthur" expandiu-se rapidamente naquele ano, auxiliando mais de mil meninas a retornarem aos estudos.
Para apoiar minha carreira, Arthur comprou um andar inteiro em um edifício comercial ao lado da sede do Grupo Cavalcanti.
Ele dizia que, se eu ficasse cansada, bastava caminhar alguns passos para tirar uma soneca no escritório dele.
Esse favoritismo extremo fazia todos os funcionários da empresa "suspirarem" de tanta doçura.
No entanto, o sucesso traz inveja.
O crescimento da fundação despertou o olho gordo de alguns concorrentes.
Após a prisão de Beatriz Lins, embora o Grupo Lins tivesse declinado, alguns parentes distantes da família ainda permaneciam no cenário empresarial de São Paulo.
Um deles era Ricardo Linhares, que trabalhava no ramo de equipamentos médicos e desejava absorver os projetos da nossa fundação.
Vendo que não conseguia competir honestamente, ele começou a espalhar boatos na internet.
Ele afirmava que o fluxo de caixa da nossa fundação era incerto e sugeria que os Cavalcanti usavam a caridade para lavagem de dinheiro.
Chegou ao ponto de contratar robôs virtuais para desenterrar os antigos laudos médicos de Arthur, dizendo que tudo não passava de uma farsa para encobrir um escândalo familiar.
Quando as notícias chegaram aos meus ouvidos, eu estava visitando comunidades carentes no interior. Minha assistente, indignada, me mostrou o tablet.
— Senhora, esse Ricardo Linhares passou dos limites. Ele chegou a atacar a senhora, dizendo que usou as crianças para dar um golpe no baú.
Fechei a pasta de documentos, mantendo uma calma absoluta.
Três anos vivendo na elite e a convivência diária com Arthur me transformaram; eu não era mais aquela garotinha que só sabia chorar.
Liguei imediatamente para ele.
— Arthur, eu mesma quero cuidar do assunto da fundação.
Do outro lado da linha, Arthur, que já estava pronto para iniciar uma guerra comercial, silenciou por um momento e soltou uma risadinha leve.
— Está bem, Sra. Cavalcanti. Eu serei o seu escudo.
Ao retornar para a capital, não publiquei notas de esclarecimento. Em vez disso, convoquei diretamente uma coletiva de imprensa.
Convidei todos os principais veículos de comunicação e especialistas em auditoria financeira do governo.
No auditório, Ricardo Linhares estava infiltrado entre os jornalistas, pronto para atacar.
Subi ao palco vestindo um terno branco impecável, com uma expressão serena.
— Sobre os boatos recentes contra a nossa fundação, preparei uma resposta completa.
Fiz um sinal para que a equipe ligasse o projetor. Na tela, não havia textos vagos, mas sim todos os detalhes contábeis da fundação do último ano, precisos até o último centavo.
Além disso, apresentei cópias dos exames de DNA feitos no nascimento dos trigêmeos.
O documento possuía o selo e as assinaturas de três das instituições internacionais mais renomadas do mundo.
— Já que alguém se preocupa tanto com o sangue dos meus filhos, vou satisfazer a curiosidade de todos de uma vez por todas. Caluniar alguém pode exigir apenas palavras, mas a punição legal exige provas.
Olhei na direção de Ricardo Linhares, com o olhar afiado como uma lâmina.
— Sr. Ricardo, as provas de que suas empresas fraudaram relatórios financeiros e sonegaram impostos já foram entregues à Delegacia de Crimes Econômicos.
O rosto de Ricardo Linhares ficou pálido instantaneamente, e a caneta que segurava caiu no chão.
Ele pensou que eu fosse apenas uma dondoca que vivia no luxo, sem entender nada de negócios ou leis.
Ele esqueceu que Arthur contratou os melhores mentores para me ensinarem tudo, passo a passo, durante três anos.
A coletiva de imprensa transformou-se no tribunal de Ricardo Linhares.
No momento em que ele foi levado pela polícia, o auditório rompeu em aplausos entusiasmados. Arthur apareceu na porta do salão sem que ninguém percebesse.
Ele carregava um buquê de rosas vermelhas vibrantes e caminhou com passos firmes até mim.
Diante de todas as câmeras, ele me entregou as flores e beijou minha testa.
— Você se saiu muito bem, Sra. Cavalcanti.
Essa cena foi a manchete principal no dia seguinte, com o título:
"Pulso de Ferro: Sra. Cavalcanti destrói calúnias com inteligência".
Ao chegar em casa, Dona Helena estava brincando com as crianças.
Ela veio me receber animada, segurando minhas mãos como uma fã.
— Alicinha, você foi incrível hoje! Eu vi na TV como você deixou aquele tal de Linhares sem palavras. Que satisfação!
Biel correu para abraçar minhas pernas, olhando para cima com admiração.
— A mamãe é uma heroína! Ela pegou o vilão!
Theo, embora mantivesse sua pose de garoto sério, colocou discretamente uma bala descascada na minha mão. O Sr. Augusto, sentado no sofá, assentiu em aprovação.
— Alice, você agora demonstra verdadeiramente a postura da senhora da família Cavalcanti.
Naquele momento, senti uma força sem precedentes. Eu sabia que não era mais apenas alguém a ser protegida; eu agora tinha a capacidade de proteger esta família. Arthur me abraçou por trás, com sua voz profunda e magnética.
— Esposa, você é tão poderosa que estou começando a ficar inseguro.
Virei-me e apertei o nariz dele.
— Então é melhor me tratar ainda melhor, ou a Sra. Cavalcanti vai levar as crianças para conquistar o mundo.
Ele soltou uma risada prazerosa e me apertou mais forte.
O luar banhava a sala, enquanto o riso inocente das crianças e a conversa da família se misturavam.
Ali, naquele abraço, estava a fortaleza mais sólida da minha vida.