《Herdeiro Estéril: Três Bebês e um Mistério》Capítulo 10

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Beatriz Lins foi expulsa da mansão dos Cavalcanti como se fosse lixo.

Na sala, o silêncio finalmente retornou, mas o clima estava ainda mais constrangedor do que antes.

Dona Helena permanecia ali, sem saber o que fazer, com o rosto vermelho de vergonha.

Ela olhava para Arthur, depois para mim, com os lábios trêmulos, querendo dizer algo, mas sem conseguir emitir uma única palavra.

A verdade havia aparecido. A nora que ela considerava perversa e vulgar era, na verdade, a maior vítima.

E ela própria tinha se tornado cúmplice daquela mulher cruel, usando as palavras mais vis para ferir, repetidamente, uma jovem inocente.

Chegara ao ponto de quase expulsar de casa seus próprios netos.

Ao pensar em todas as futilidades que fizera e nas ofensas que proferira, Dona Helena sentia vontade de desaparecer.

Jamais passara por tamanha humilhação em toda a sua vida.

Sr. Augusto, sentado no sofá, tomou um gole de chá e falou calmamente: — E então, está satisfeita agora?

Sua voz não era alta, mas fez Dona Helena estremecer.

Ela sabia que aquele era o sinal do extremo descontentamento de seu marido.

— Eu... eu não sabia que as coisas eram assim...

— defendeu-se ela em voz baixa, sem convicção.

— Você não sabia?

— Sr. Augusto soltou uma risada fria.

— Eu te avisei para não falar bobagens antes que tudo fosse esclarecido. Por acaso minhas palavras entraram por um ouvido e saíram pelo outro? Você foi usada como massa de manobra e quase destruiu a paz da nossa família, e ainda acha que tem razão?

— Eu...

— Dona Helena ficou sem resposta, com os olhos marejados, prestes a chorar.

— Chega

— Arthur a interrompeu impacientemente.

— Não é momento de buscar culpados.

Ele se virou para Dona Helena com um olhar gélido:

— Mãe, a Alicinha está grávida e não pode passar por fortes emoções.

Posso ignorar o que você disse e fez anteriormente, mas de hoje em diante, quero que entenda uma coisa : Alice é minha esposa e mãe dos meus filhos. Ela é a senhora desta casa. Se você ainda quer me ter como filho e deseja abraçar seus futuros netos, por favor, trate-a com respeito.

Ele falou sem qualquer cortesia, dando um ultimato público a Dona Helena. O rosto dela alternava entre o pálido e o rubro; nunca fora tão humilhada.

Contudo, não podia retrucar, pois sabia que estava errada. Ela olhou para o meu ventre ainda plano, com um olhar complexo.

Ali estavam seus três netos legítimos, a linhagem que a família Cavalcanti tanto esperava.

Finalmente, ela escolheu ceder. Respirou fundo, aproximou-se de mim e forçou um sorriso amargo:

— Alicinha... — começou ela, com a voz seca.

— Eu estava errada. Fui enganada e acabei sendo injusta com você. Por favor... não guarde mágoa. Peço desculpas a você.

Como eu poderia chamar de "mãe" alguém que quase me levou ao desespero e ainda ser grata pelo seu pedido de desculpas?

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Eu não conseguia.

Não respondi, apenas me encolhi nos braços de Arthur, assumindo uma postura de quem fora assustada e precisava de proteção.

O meu silêncio fez o rosto de Dona Helena arder de vergonha.

Arthur me protegeu e falou brevemente: — Alice está cansada. Vou levá-la para descansar lá em cima. Dito isso, ele me amparou e subimos direto para o quarto, deixando Dona Helena parada ali, em uma situação embaraçosa.

Ao entrar no quarto, soltei um longo suspiro de alívio.

Aquela cena toda me deixara exausta.

— Está cansada? — Arthur perguntou, massageando meus ombros com carinho.

Balancei a cabeça, apoiando-me nele.

— Não muito. Só parece... irreal. Há poucos dias eu sentia que vivia no inferno, e hoje parece que cheguei ao paraíso.

— Bobagem — Arthur beijou o topo da minha cabeça.

— De agora em diante, nossos dias serão sempre assim. Vou compensar você em dobro por tudo o que sofreu nestes três anos.

Sorri e olhei para ele:

— Então posso entender que agora sou a pessoa mais importante desta casa?

Ele riu, acariciando meu nariz com carinho:

— Com certeza.

De hoje em diante, você é a maior heroína desta família e nossa prioridade absoluta.

Quem ousar te tratar mal, terá que se ver comigo.

Suas palavras trouxeram doçura ao meu coração. Após toda aquela tempestade, nosso sentimento não fora abalado; pelo contrário, tornara-se mais forte.

Nos dias que se seguiram, como Arthur prometera, minha posição na família mudou drasticamente. Tornei-me a "pessoa protegida" de todos os Cavalcanti.

A primeira mudança veio de Dona Helena.

Na manhã seguinte, ela apareceu no nosso quarto trazendo pessoalmente uma tigela de sopa de ninho de andorinha preparada com cuidado.

Seu rosto exibia um sorriso forçado e constrangido:

— Alicinha, já acordou? — perguntou ela.

— Rápido, beba enquanto está quente. Eu mesma preparei desde cedo, faz bem para os bebês.

Ela nem ousava mais se referir a si mesma como "mãe". Eu não aceitei a tigela, apenas olhei para Arthur.

Arthur pegou a tigela da mão dela, provou um pouco e levou à minha boca: — Minha esposa é delicada e não está acostumada com a comida de outros. De agora em diante, eu mesmo cuidarei da alimentação dela.

Com uma frase, ele barrou as tentativas de aproximação de Dona Helena.

O sorriso dela congelou, mas ela não ousou reclamar, retirando-se em silêncio.

A partir de então, a atitude dela mudou completamente. Todos os dias ela enviava presentes e suplementos de todos os tipos: joias, bolsas de luxo, imóveis, carros...

Tudo era enviado para o meu quarto, como se quisesse usar bens materiais para compensar o dano causado anteriormente.

Sr. Augusto, embora não falasse muito, demonstrava sua consideração em ações.

Ele me deu um cartão de crédito sem limite e transferiu 5% das ações do Grupo Cavalcanti para o meu nome.

Isso significava que, da noite para o dia, eu me tornara uma mulher riquíssima.

Arthur, por sua vez, me tratava como uma rainha. Ele cancelou compromissos desnecessários para estar em casa todos os dias comigo, lendo histórias para os bebês, caminhando ao meu lado e massageando minhas pernas inchadas pela gravidez.

Até mesmo quando eu acordava à noite, ele despertava imediatamente para me ajudar.

Tornei-me o centro das atenções de toda a família, cuidada com extremo zelo.

Quanto a Beatriz Lins e sua família, as notícias não tardaram a chegar.

O bloqueio total imposto pelo Grupo Cavalcanti, somado ao processo movido por Arthur, levou a família Lins à ruína imediata.

As ações do grupo despencaram e eles ficaram à beira da falência.

O pai de Beatriz sofreu um derrame e foi internado na UTI.

A própria Beatriz, devido às provas contundentes, foi condenada a três anos de prisão.

A outrora brilhante herdeira terminou arruinada e atrás das grades.

Foi uma justiça merecida.

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