Ao ouvir que Beatriz Lins havia chegado, o rosto de Dona Helena iluminou-se imediatamente com um sorriso caloroso.
A velocidade com que sua expressão mudou foi impressionante.
"Rápido, peça para ela entrar!"
Enquanto ajeitava suas roupas, ela me lançou um olhar severo e avisou em tom baixo: "Comporte-se e não diga uma palavra! Se você me fizer passar vergonha na frente da Beatriz, você vai se ver comigo!"
Baixei a cabeça, adotando uma postura submissa. "Sim, Dona Helena."
Logo, uma mulher vestindo um conjunto Chanel de última geração, com maquiagem impecável e exalando a aura de uma herdeira rica, entrou guiada por um empregado.
Era Beatriz Lins. Ela era muito bonita, com uma beleza do tipo agressiva. Naquele momento, porém, trazia um sorriso gentil e elegante no rosto, segurando uma caixa de presente luxuosa.
"Dona Helena", chamou ela carinhosamente, como se fossem sogra e nora íntimas.
"Beatriz, querida, você chegou! Sente-se, sente-se!" Dona Helena segurou a mão dela com entusiasmo, fazendo-a sentar ao seu lado.
"Dona Helena, quanto tempo. A senhora está cada vez mais jovem", elogiou Beatriz com doçura.
"Sempre gentil, essa menina", Dona Helena sorria de orelha a orelha. "Não precisava ter trazido presente."
"Não é nada demais", Beatriz abriu a caixa, revelando um conjunto de ninhos de andorinha de primeira linha.
"Ouvi dizer que a senhora tem andado preocupada com os assuntos de casa e até emagreceu. Pedi para trazerem da Indonésia especialmente para ajudar no seu vigor."
Suas palavras carregavam um significado oculto. Dona Helena suspirou, segurando a mão dela para desabafar.
"Ah, nem me fale. É tudo por causa daquela pessoa desapontadora lá em casa."
Seu olhar me atingiu como uma lâmina. Beatriz seguiu o olhar dela e, ao me notar, um brilho de satisfação e desprezo passou rapidamente por seus olhos. No entanto, ela fingiu surpresa.
"Ah, esta deve ser a esposa do Arthur, certo? Sempre ouvi dizer que a Sra. Cavalcanti era doce e virtuosa. Hoje vejo que a fama faz sentido."
Ela falava de forma educada, porém distante, com um toque de julgamento superior. Dona Helena soltou um bufo frio: "Doce e virtuosa? Eu duvido muito."
Beatriz fingiu confusão: "Dona Helena, o que aconteceu? A Alice fez algo errado para deixá-la brava?"
"Ela fez muito mais do que algo errado!"
Dona Helena, com toda a raiva acumulada, encontrou em Beatriz o escape perfeito para desabafar.
Tratando Beatriz como alguém da família, ela começou a reclamar sobre a minha gravidez de forma exagerada.
"Diga-me, que azar o nosso atrair uma mulher vulgar dessas para a nossa casa! Você sabe da condição do Arthur. Agora, do nada, ela aparece grávida. Isso não é claramente uma afronta à nossa família?"
Beatriz ouviu com uma expressão de choque e simpatia calculada. "Meu Deus, como algo assim pôde acontecer?"
Ela olhou para mim com o olhar cheio de desprezo. "Alice, como você pôde fazer isso? O Arthur foi tão bom para você, como pôde traí-lo?"
Levantei a cabeça com os olhos marejados, fingindo estar profundamente injustiçada. "Eu não... eu realmente não traí o Arthur..."
"Então como explica o bebê no seu ventre?" Beatriz pressionou agressivamente. "Alice, não tente nos dizer que este filho é do Arthur. Seria a maior piada do mundo!"
Cada palavra dela era como jogar sal em uma ferida aberta. Eu sabia que ela estava me provocando de propósito para me ver humilhada.
Mordi o lábio inferior com força, deixando as lágrimas nos olhos sem deixá-las cair. Minha aparência teimosa e desamparada trouxe uma onda de satisfação a Beatriz.
Era exatamente o resultado que ela queria: que todos soubessem que Alice era uma mulher sem moral, e que Arthur se tornasse o motivo de piada de toda a cidade.
Dona Helena concordou ao lado: "Exatamente! Ela se recusa a admitir até agora e ainda tenta enganar o Arthur dizendo que o hospital errou no diagnóstico! É ridículo!"
"Erro no diagnóstico?"
Beatriz soltou uma risada exagerada, como se tivesse ouvido algo absurdo.
"Dona Helena, não se deixe enganar. A condição do Arthur foi diagnosticada pelo próprio Dr. Marcos do Hospital Santa Luzia na época, um dos maiores especialistas. Como haveria um erro?"
Ela mencionou o Dr. Marcos propositalmente para fechar qualquer possibilidade de dúvida.
Estava confiante de que não descobriríamos sua participação. Queria nos ver sofrer em sua mentira, desmoronando em desconfiança mútua.
Dona Helena assentiu convicta.
"Com certeza! Meu filho é bondoso demais e foi enganado por essa mulher!"
"Dona Helena, não fique tão brava, não vale a pena prejudicar sua saúde", Beatriz consolou-a falsamente.
"Na minha opinião, isso deve ser resolvido o quanto antes. Faça com que a Alice e o Arthur se divorciem logo para evitar mais problemas."
Ela voltou o olhar para mim com uma piedade condescendente.
"Alice, não culpe Dona Helena por ser severa. Afinal, nenhuma família de elite toleraria uma nora que desonra o nome da casa dessa forma. Você é jovem... cuide-se daqui para frente."
Sua atitude arrogante, como se já fosse a dona da casa, era nauseante. Nesse momento, passos soaram na escada.
Arthur desceu. Ele vestia roupas casuais, o que o deixava com uma aparência mais suave, mas seus olhos profundos carregavam uma frieza gélida.
"Que agitação é esta em casa hoje?" comentou ele calmamente.
"Arthur!"
Beatriz levantou-se imediatamente, com um sorriso tímido e radiante no rosto. Ela caminhou apressada até ele, olhando-o com admiração.
"Ouvi dizer que Dona Helena não estava bem e vim visitá-la."
O olhar de Arthur passou pelo rosto dela sem se deter por um segundo, como se ela fosse uma estranha insignificante.
Ele caminhou direto para o meu lado e me abraçou naturalmente.
"Por que está com essa aparência tão abatida?"
Ele franziu a testa, testando minha temperatura com o dorso da mão.
"Não está se sentindo bem?"
O gesto de intimidade fez o rosto de Beatriz congelar.
Dona Helena também não gostou e disse com irritação: "O que ela teria para se sentir mal? Aposto que é o peso na consciência!"
Arthur ignorou Dona Helena e olhou para mim com ternura.
"Vou ajudá-la a subir para descansar."
Beatriz, vendo-se totalmente ignorada, sentiu uma mistura de inveja e ódio.
Rangendo os dentes, ela disse:
"Arthur, pare de se enganar! A Alice já..."
"O nome da minha esposa é Alice", Arthur a interrompeu friamente, em tom de aviso.
"Srta. Lins, não acredito que tenhamos intimidade suficiente para que você a chame pelo primeiro nome."
O rosto de Beatriz alternou entre o verde e o branco.
Ela não esperava que, mesmo naquela situação, Arthur ainda a defendesse tanto.
Ela não aceitava isso. Estava ali para vê-los se voltarem um contra o outro, para ver Alice expulsa.
Respirando fundo para conter a raiva, ela fingiu uma expressão de dor.
"Arthur, eu sei que você está sofrendo e não quer aceitar a realidade. Mas os fatos estão aí: ela carrega o filho de outro, ela te traiu! Por que ainda a protege? Ela não merece!"
Arthur finalmente olhou para ela de forma direta, com olhos frios como gelo.
"Se ela merece ou não, não cabe à Srta. Lins julgar. Eu mesmo avalio a minha esposa."
Seu olhar pousou no meu ventre, tornando-se instantaneamente doce.
"Além do mais... quem lhe disse que este filho é de outro?"