A eficiência de Arthur era impressionante. Ricardo, seu assistente de confiança há anos, era extremamente competente, e o resultado não poderia ser diferente.
Apenas uma noite se passou e, ao meio-dia do dia seguinte, uma verdade avassaladora foi colocada diante de Arthur.
No escritório, Arthur encarava as informações na tela do computador com uma expressão tão sombria que parecia prestes a transbordar fúria.
De pé atrás dele, consegui ler o conteúdo do e-mail: era um relatório de investigação detalhado.
O documento revelava que o Dr. Marcos, que realizara o exame pré-nupcial de Arthur há três anos e emitira o laudo de "azoospermia congênita", recebera uma quantia astronômica de cinco milhões pouco tempo depois.
O remetente era uma conta no exterior totalmente desconhecida para ele.
Após rastrearem as camadas da transação, a conta finalmente apontou para alguém que nenhum de nós esperava: Beatriz Lins.
Ela era a herdeira do Grupo Lins e a figura mais brilhante do círculo social de elite da cidade, mas também era a mulher que perseguira Arthur loucamente no passado e fora rejeitada sem piedade por ele.
Lembrei-me de que, quando nos casamos, ela enviara um "presente de felicitações" através de terceiros: uma estátua de ouro puro da divindade da fertilidade.
Pensando agora, aquele presente estava carregado de uma ironia perversa. Na verdade, desde o início, tudo fora uma conspiração gigantesca contra Arthur e a família Cavalcanti.
Beatriz Lins, consumida pelo rancor de não ser correspondida, transformou amor em ódio.
Ela subornara o médico e forjara o diagnóstico, colocando sobre Arthur o fardo de ser "estéril".
Ela queria que ele sofresse, queria que a linhagem dos Cavalcanti terminasse com ele e que ele vivesse para sempre na sombra da incompletude, privado de uma felicidade plena.
O coração dessa mulher era de uma maldade sem limites!
— Bang!
— Arthur desferiu um soco violento contra a mesa. A pesada mesa de mogno soltou um estalo surdo. O dorso de sua mão ficou instantaneamente vermelho.
— Arthur! — segurei a mão dele, angustiada.
Sua mão estava fria como ferro e seus olhos ardiam com uma fúria avassaladora, capaz de reduzir tudo a cinzas.
— Beatriz Lins... — ele sibilou o nome entre os dentes, e cada sílaba carregava um gélido desprezo.
Nunca o vira tão furioso. Afinal, qualquer homem perderia a calma ao descobrir que fora vítima de uma armadilha tão vil por três anos inteiros, algo que quase destruíra seu casamento e sua família.
Durante esses três anos, o sofrimento e a pressão que ele suportara eram inimagináveis. Em cada reunião familiar, havia insinuações e pressões veladas de parentes sobre ter filhos.
Cada vez que via os filhos de outras pessoas, havia um brilho passageiro de solidão e inveja em seus olhos. Ele acreditara que o erro era seu, que um defeito em seu corpo o impedia de ter uma família completa, e guardara toda essa dor em silêncio.
Ele nunca imaginara que tudo não passava de uma farsa meticulosamente planejada por uma mulher cruel.
— Ela vai pagar caro — a voz de Arthur era fria, desprovida de qualquer calor.
Segurei sua mão com força e disse baixinho: — Arthur, eu te apoiarei no que você decidir fazer.
Ele respirou fundo, forçando-se a manter a compostura. A fúria em seus olhos foi gradualmente substituída por um cálculo profundo. Ele olhou para mim, recuperando sua perspicácia e determinação habituais.
— Alicinha, não conte nada aos meus pais por enquanto.
Fiquei confusa: — Por quê? Agora que a verdade apareceu, não deveríamos contar imediatamente para limpar meu nome e deixá-los felizes?
Arthur soltou uma risada fria, com um toque de sarcasmo.
— Você conhece o temperamento da minha mãe. Se contarmos agora, a primeira coisa que ela fará será correr até a casa dos Lins e armar um escândalo público. Isso seria fácil demais para a Beatriz.
Entendi imediatamente o que ele queria dizer.
Com a personalidade impulsiva de Dona Helena, que amava o filho acima de tudo, ela viraria o mundo de cabeça para baixo.
No final, a família Lins apenas perderia um pouco de prestígio e pediria desculpas, o que seria inútil para alguém como Beatriz.
Arthur não queria um desfecho tão simples; ele queria que Beatriz Lins pagasse o preço mais alto por suas ações, queria que ela fosse arruinada e perdesse absolutamente tudo.
— Então... o que faremos? — perguntei.
O canto da boca de Arthur se curvou em um sorriso gélido.
— Vamos retribuir na mesma moeda. Ela não adora ver a desgraça da nossa família? Pois eu farei dela o maior motivo de piada diante de toda a cidade.
Ele se aproximou do meu ouvido e sussurrou seu plano. Meus olhos se arregalaram conforme ele falava.
Esse homem... quando decidia ser implacável, era realmente assustador.
Mas, por algum motivo, senti uma satisfação súbita; para lidar com alguém tão perverso quanto Beatriz Lins, eram necessários métodos fora do comum.
Queria que ela sentisse o gosto de cair do topo diretamente para o abismo.
— Tudo bem — assenti. — Eu vou colaborar.
— Sinto muito por isso — Arthur acariciou meu rosto com um olhar de desculpas. — Você terá que suportar mais alguns dias de injustiça.
Balancei a cabeça e me aninhei em seus braços.
— Se for para fazer aquela pessoa pagar e receber o que merece, o que importa um pouco mais de injustiça? Além disso, agora que sei a verdade, não tenho mais nenhum fardo no coração.
Toquei meu ventre com um sorriso de felicidade genuína.
Ali estavam nossos filhos, o fruto do nosso amor.
Só de pensar nisso, senti que tudo o que sofrera valera a pena. Arthur baixou a cabeça e depositou um beijo suave em minha testa.
— Obrigado, Alicinha. Obrigado por sempre acreditar em mim e não me deixar. E obrigado por me dar o melhor presente das nossas vidas.
Abraçamo-nos, aproveitando aquela paz e felicidade conquistadas a duras penas, enquanto o prelúdio de uma grande vingança contra a família Lins estava prestes a começar.
À tarde, seguindo o plano de Arthur, caminhei pelo jardim segurando minha barriga, que ainda não era proeminente.
Dona Helena, como esperado, não perdeu a oportunidade de me ridicularizar.
— Ora, você realmente se acha a legítima senhora Cavalcanti, não é? Sugiro que pare de sonhar acordada. Assim que o acordo de divórcio chegar, você e esse bastardo serão expulsos daqui.
Baixei a cabeça, fingindo uma postura de mágoa e submissão.
— Mãe, eu sei que errei... Por favor, não me mande embora. Farei qualquer coisa para ficar ao lado do Arthur.
Minha atitude humilde alimentou o ego de Dona Helena. Ela soltou um bufo de desprezo, orgulhosa como um pavão.
— Agora você se arrepende? É tarde demais! Nossa família não tem lugar para uma mulher impura como você.
Nesse momento, um empregado aproximou-se às pressas.
— Senhora, a senhorita Beatriz Lins acaba de chegar.
Ela chegara.
O peixe mordera a isca.
Arthur e eu trocamos um olhar cúmplice, ambos com um brilho de fria satisfação nos olhos.