《Herdeiro Estéril: Três Bebês e um Mistério》Capítulo 05

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Na manhã seguinte, Arthur entrou em contato com os centros de medicina reprodutiva mais renomados do país. Sua agilidade foi impressionante; em apenas uma manhã, ele agendou todos os exames necessários.

A partir daquela tarde, ele me acompanhou em uma maratona de hospital em hospital. Mas os exames não eram para mim, e sim para ele.

Em cada consulta, ele entrava sozinho no consultório. Eu ficava sentada no banco da recepção, esperando ansiosamente.

Meu estado de espírito era mais tenso do que quando esperei pelos resultados do vestibular. Em meu íntimo, eu orava repetidamente, pedindo por um milagre, implorando para que o diagnóstico de anos atrás fosse apenas um erro terrível.

Contudo, quanto maior a esperança, maior o tombo. O resultado do primeiro hospital saiu: era idêntico ao de três anos atrás.

As palavras "azoospermia congênita" no relatório pareciam zombar cruelmente da nossa ilusão.

Quando Arthur saiu do consultório, sua expressão era sombria. Sem dizer uma palavra, ele apenas me conduziu em silêncio para o próximo hospital.

No segundo, o resultado foi o mesmo. No terceiro, nenhuma mudança. Ao final do dia, tínhamos percorrido três hospitais e obtido três laudos idênticos.

Cada relatório era como um balde de água gelada, apagando, centelha por centelha, a pequena chama de esperança em meu coração.

No caminho de volta, o clima dentro do carro era de uma opressão absoluta. Arthur estava encostado no banco, de olhos fechados, com o rosto bonito marcado por um cansaço e uma frustração impossíveis de esconder.

Ao ver seu cenho franzido, senti como se meu coração estivesse sendo cortado. Eu sabia que aqueles diagnósticos eram como torturas repetidas para ele, esmagando sua dignidade como homem repetidamente.

Estendi a mão e a coloquei suavemente sobre o dorso da dele. Sua mão estava gelada. Sentindo meu toque, seus longos cílios tremeram e ele abriu os olhos devagar, revelando um olhar injetado de sangue.

— Arthur... — sussurrei. — Talvez... devêssemos parar de procurar.

Eu não suportava mais vê-lo se martirizar daquela forma. Mesmo que o resultado final provasse que o bebê em meu ventre não tinha relação com ele, eu aceitaria.

Na pior das hipóteses, enfrentaríamos o divórcio, e eu criaria a criança sozinha. Não queria que ele continuasse passando por aquela dor e agonia por minha causa.

Arthur olhou para mim com um olhar indecifrável.

— Alicinha. — Ele segurou minha mão com firmeza, com a voz rouca. — Você... também acha que não há mais esperança?

Mordendo o lábio, eu não sabia o que responder. Sim, eu sentia que a esperança havia acabado.

Três hospitais de ponta e três laudos autoritativos nos diziam a mesma verdade cruel: o bebê não era dele. Meu silêncio fez com que o brilho em seus olhos diminuísse ainda mais. Ele esboçou um sorriso autodepreciativo.

— É verdade... até eu estou começando a duvidar de mim mesmo. — Ele suspirou. — Talvez eu realmente... esteja destinado a nunca ter um filho.

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Suas palavras me causaram uma dor imensa. Aproximei-me e o abracei, encostando o rosto em seu peito.

— Não, não é isso. — Falei baixinho. — Arthur, ter ou não um filho não importa. O que importa é que eu te amo. Mesmo que... mesmo que acabemos nos separando, você sempre será meu único amor.

O corpo dele ficou rígido e seus braços me apertaram com força súbita.

— Separar? — Ele segurou meu queixo, obrigando-me a encará-lo com um olhar subitamente afiado e perigoso. — Quem disse que vamos nos separar? Alicinha, você já planejou sua saída?

Fiquei assustada com aquela fúria repentina.

— Eu não quis dizer...

— Então o que você quis dizer? — Ele se aproximou, com a respiração quente em meu rosto. — Você pretende levar esse bastardo de origem desconhecida para longe de mim e procurar o pai biológico dele?

A palavra "bastardo" dita por ele foi como uma facada em meu peito. As lágrimas transbordaram instantaneamente.

— Arthur Cavalcanti! — Eu o empurrei com força. — Como você pode dizer algo assim? Como pode falar assim do nosso... do meu filho!

Cobri a boca, soluçando sem parar. Então, no fundo, era isso que ele pensava. Ele também acreditava que meu bebê era um bastardo.

Toda a sua proteção e confiança anteriores não passavam de um disfarce. Afinal, que homem suportaria tamanha humilhação?

Minhas lágrimas fizeram com que a fúria em seus olhos se apagasse no mesmo instante, sendo substituída por remorso e desamparo.

— Me desculpe... — Ele estendeu a mão para me tocar, mas a recolheu. — Alicinha, eu não quis dizer isso... eu só... eu estou ficando louco.

Ele agarrou os próprios cabelos com angústia.

— Eu não consigo me controlar. Só de pensar que você pode me deixar, que carrega o filho de outro... eu sinto que vou enlouquecer!

Seu rosto bonito estava marcado por puro sofrimento. Ao vê-lo assim, meu coração amoleceu novamente. Sequei as lágrimas e tomei sua mão.

— Eu não vou te deixar. — Falei seriamente, olhando em seus olhos. — A menos que você não me queira mais.

Ele me olhou atônito, com as emoções borbulhando em seus olhos escuros. Por fim, soltou um longo suspiro e me acolheu em seus braços novamente.

— Como eu poderia não te querer? — Ele escondeu o rosto em meu pescoço, com a voz abafada. — Alicinha, me dê mais um pouco de tempo. Ainda falta um hospital, um centro de pesquisa genética no exterior para o qual enviei minhas amostras. É a instituição mais conceituada do mundo. Quando o resultado deles chegar, se... se for o mesmo...

Ele não terminou a frase, mas eu sabia o que ele queria dizer. Se aquele resultado fosse igual aos outros, teríamos que encarar a realidade. Meu coração afundou.

Ao chegarmos em casa, Dona Helena nos lançou um olhar carregado de um sarcasmo indisfarçável.

— E então? O que eu disse? Não importa quanto dinheiro gastem ou em quantos hospitais corram, o resultado não é sempre o mesmo? Arthur, você deveria desistir agora, não acha?

Arthur a ignorou completamente, puxando-me direto para o andar de cima.

— Arthur! — Dona Helena gritou lá de baixo, insatisfeita. — Não seja ingrato! Estou fazendo isso para o seu bem! Já avisei ao Dr. Leonardo; o acordo de divórcio pode ser entregue a qualquer momento!

Arthur hesitou por um momento no degrau, mas não olhou para trás.

— Não se meta nos meus assuntos. — Ele lançou a frase friamente e fechou a porta do quarto.

Os dias seguintes foram os mais difíceis desde que nos casamos. Parecia haver uma barreira invisível entre nós.

Embora dormíssemos na mesma cama e ele ainda me abraçasse por hábito, eu sabia que algo havia mudado.

Quase não conversávamos. Ele se tornou ainda mais silencioso, passando as madrugadas isolado no escritório.

Eu sabia que ele estava sofrendo, mas, além de acompanhá-lo em silêncio, eu não podia fazer nada.

A atmosfera na casa tornava-se cada vez mais estranha. Embora Dona Helena não me atacasse abertamente devido à pressão do Sr. Augusto, seu olhar para mim era cada vez mais gélido.

Ela começou a mencionar, de forma sugestiva, jovens talentosos ou herdeiras de famílias influentes, insinuando que, mesmo sem mim, Arthur continuaria sendo o solteiro mais cobiçado.

Eu aguentava tudo calada, depositando todas as minhas esperanças naquele laudo vindo do exterior. Era minha última tábua de salvação.

Finalmente, uma semana depois, Arthur recebeu a ligação do exterior.

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