《Herdeiro Estéril: Três Bebês e um Mistério》Capítulo 04

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A presença do Sr. Augusto fez com que a tensão explosiva na sala diminuísse momentaneamente.

Ele era o chefe da família e carregava uma autoridade natural de quem ocupou cargos de poder por muito tempo, o que fez com que Dona Helena contivesse suas emoções involuntariamente.

— Augusto, você nem imagina...

Dona Helena secou as lágrimas e entregou o exame de ultrassom, narrando a situação de forma exagerada. Em sua versão, eu era uma mulher interesseira e calculista que não medira esforços para entrar na alta sociedade.

Primeiro, fingira aceitar o fato de Arthur ser estéril para ganhar a simpatia e a confiança da família; então, pouco depois do casamento, envolvera-se com outro homem para engravidar, tentando usar a criança para consolidar minha posição nos Cavalcanti.

Cada palavra dela era como um balde de lama jogado sobre mim. Eu tremia de raiva, mas não tinha forças nem para retrucar, pois, na superfície, todas as evidências estavam contra mim.

Sr. Augusto ouviu as lamentações de Dona Helena com uma expressão calma. Ele pegou o ultrassom que estava sobre a mesa e o analisou detalhadamente. Então, voltou seu olhar para mim.

— Alice, o que ela diz é verdade?

Sua voz era profunda, sem revelar emoção. Encarei seu olhar de julgamento e balancei a cabeça com força, sentindo as lágrimas brotarem novamente.

— Sr. Augusto, eu não fiz nada... Eu juro que nunca fiz nada para trair o Arthur ou envergonhar esta família. Sobre esse bebê... eu também não sei o que aconteceu.

Minha voz falhou levemente devido à agitação. Sr. Augusto me observou e permaneceu em silêncio por um momento.

— Não chore — ele disse calmamente. — Por maior que seja o problema, chorar não resolve nada.

O tom dele era muito mais calmo do que eu esperava, sem a fúria e as acusações de Dona Helena. Isso tranquilizou um pouco o meu coração aflito. Ele então se virou para Arthur.

— E você? O que pensa disso?

Arthur apertou minha mão com força. Ele encarou o próprio pai sem recuar.

— Eu acredito na Alice.

Sua voz era simples e firme.

— Até que as coisas sejam esclarecidas, ela é minha esposa. Isso nunca mudará.

Sr. Augusto olhou para o filho com um misto complexo de sentimentos em seus olhos — havia admiração, mas também uma certa resignação.

— E como pretende investigar?

— Vou ao hospital para um check-up físico completo — respondeu Arthur. — Quero confirmar se houve algum erro no diagnóstico original.

Dona Helena soltou uma risada sarcástica ao lado.

— Investigar? O que resta para investigar? Esqueceu o que o Dr. Marcos, o melhor especialista do país, disse na época? Ele disse que não havia esperança, então não há!

— Aquela foi apenas a opinião de uma pessoa — retrucou Arthur com firmeza. — Não acredito. Vou procurar outros hospitais e os melhores especialistas do mundo para refazer os exames.

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Sua obstinação deixou Dona Helena irritada.

— Você... você é mesmo teimoso! Augusto, ouça só o que ele está dizendo!

Sr. Augusto acenou com a mão, interrompendo as queixas de Dona Helena. Ele observou Arthur por um instante.

— Está bem.

Todos ficaram surpresos com aquela única palavra. Dona Helena olhou para ele incrédula. Sr. Augusto a ignorou e continuou falando com Arthur:

— Já que quer investigar, vá e descubra toda a verdade. Até que haja um resultado claro, não quero ouvir mais fofocas ou boatos sobre este assunto.

Ele lançou um olhar significativo para Dona Helena e, em seguida, olhou para mim com um tom mais suave:

— Alice, você está grávida e não deve se exaltar. Seja verdade ou mentira, a criança é inocente. Vá para o quarto descansar agora.

Eu não esperava essa atitude do Sr. Augusto. Ele não tomou partido nem tirou conclusões precipitadas; deu a mim e a Arthur a chance de descobrir a verdade. Senti uma onda de gratidão e olhei para ele agradecida.

— Obrigada, Sr. Augusto.

Arthur me apoiou e disse baixinho: — Vou te levar lá para cima.

Assenti e o segui escada acima. Atrás de nós, ouvi a voz inconformada de Dona Helena:

— Augusto! Como pode ser tão conivente? Se isso vazar, onde ficará a honra da nossa família?

— Cale-se! — a voz do Sr. Augusto soou impaciente. — Eu sei o que estou fazendo!

Entramos em nosso quarto, deixando tudo para trás. Senti como se minhas energias tivessem sido drenadas e me joguei na cama. Arthur trouxe um copo de água morna e o aproximou dos meus lábios.

— Beba um pouco de água.

Balancei a cabeça e não pude evitar que as lágrimas caíssem de novo.

— Arthur, me desculpe... Eu causei um problema enorme para você. Se... se for muito difícil para você, nós podemos...

A palavra divórcio simplesmente não saía da minha boca. Arthur colocou o copo no criado-mudo, sentou-se ao meu lado e secou minhas lágrimas com os dedos.

— Não diga bobagens — ele disse gentilmente. — Você é minha esposa. Seus problemas são meus problemas, não há nada de incômodo nisso.

— Mas a sua mãe...

— Não se preocupe com ela, eu cuidarei disso.

Ele me olhou com seus olhos negros profundos.

— Alice, vou te perguntar apenas uma vez. Olhe nos meus olhos e me diga: você realmente não me traiu?

Encarei seu olhar, onde vi curiosidade, luta e uma ponta de vulnerabilidade que eu mal ousava sondar. Assenti com convicção e disse pausadamente:

— Eu não traí. Desde o dia em que me apaixonei por você, Arthur Cavalcanti, meu coração nunca mais teve espaço para outro homem. Se houver uma única mentira no que eu disse, que eu seja amaldiçoada.

— Não fale assim!

Ele rapidamente cobriu minha boca com a mão. Um lampejo de pânico e medo passou por seus olhos. Ele me observou por um longo tempo, como se quisesse enxergar o fundo da minha alma. Finalmente, deu um longo suspiro e me abraçou com força.

— Está bem. Eu acredito em você.

Essas quatro palavras me fizeram desabar em lágrimas instantaneamente. Toda a minha angústia, insegurança e medo foram redimidos ali. Escondi o rosto em seu peito e chorei alto. Ele não disse mais nada, apenas deixou que eu desabafasse enquanto acariciava minhas costas.

Depois de muito tempo, meu choro cessou. Ele me soltou e, ao ver meus olhos inchados, pareceu comovido.

— Pronto, não chore mais. O médico disse que grávidas não devem se agitar, faz mal ao bebê.

Ele mencionou o bebê. Meu coração apertou novamente.

— Arthur, sobre essa criança...

— Não importa como ela veio — interrompeu ele em tom inquestionável. — Enquanto estiver no seu ventre, será meu filho. Eu protegerei vocês.

Olhei para ele, sentindo-me grata, mas com um aperto no peito. Sabia que ele dizia aquilo para me consolar e para convencer a si mesmo. Aquele assunto era como um espinho cravado em nossos corações; enquanto não fosse removido, continuaria doendo.

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