《Herdeiro Estéril: Três Bebês e um Mistério》Capítulo 03

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A voz de Dona Helena não estava alta, mas soou como uma marreta atingindo em cheio o meu coração. Eu tremia inteira, com o rosto completamente pálido.

"Mãe, eu..."

Tentei explicar, mas percebi que qualquer palavra naquele momento soaria vazia e sem força. A temperatura na sala pareceu cair abaixo de zero instantaneamente. O ar estava impregnado de uma opressão sufocante.

O olhar de Dona Helena estava cravado em mim; era o olhar de quem foi traído pela pessoa em quem mais confiava, cheio de decepção e amargura.

"Eu devo ter ficado cega!"

Ela jogou violentamente o exame de ultrassom sobre a mesa de centro, com o peito subindo e descendo freneticamente.

"Alice, o que a família Cavalcanti te fez de errado?"

"O Arthur te tratava como uma joia rara, e eu sempre te vi como se fosse minha própria filha!"

"E é assim que você nos retribui?"

"Você teve a coragem de sair por aí... de se deitar com outro homem..."

Ela estava tão furiosa que as palavras mal saíam, e a mão que apontava para mim tremia sem parar.

"Você envergonhou o nome dos Cavalcanti!"

Minhas lágrimas caíam como contas de um colar partido.

"Não... mãe, juro que não é o que a senhora está pensando..."

"Eu não fiz nada, eu juro!"

"Então explique!" Dona Helena gritou, em tom de interrogatório. "De onde veio essa criança? Não me diga que ela brotou do chão!"

Fiquei sem palavras. Como eu poderia explicar? Nem eu mesma sabia como aquelas três pequenas vidas tinham surgido silenciosamente no meu ventre.

Meu silêncio, para Dona Helena, foi o mesmo que uma confissão. O olhar dela esfriou completamente, transbordando desprezo e nojo.

"Eu realmente me enganei sobre você."

"Pensei que fosse uma moça doce e de boa índole, mas você é calculista e perversa!"

"Você já sabia que o Arthur não podia ter filhos, não é? Por isso procurou um qualquer na rua, querendo engravidar para garantir seu lugar na família?"

"Como você pode ser tão cruel?"

Aquelas palavras eram como facas envenenadas, retalhando o meu coração pedaço por pedaço. Eu apenas balançava a cabeça, trêmula.

"Eu não... eu não sou esse tipo de mulher..."

"Cale a boca!" Dona Helena me interrompeu bruscamente. "Uma mulher vulgar como você não tem o direito de me chamar de mãe!"

Assim que ela terminou de falar, uma voz fria e poderosa ecoou pelo ambiente.

"Chega."

Era Arthur.

Ele, que estivera em silêncio desde que entramos, finalmente falou. Arthur caminhou até mim e me envolveu gentilmente em seus braços, bloqueando o olhar agressivo de Dona Helena. O abraço dele ainda possuía aquele calor que me trazia segurança.

Encostei a cabeça no peito dele, sentindo o cheiro familiar de cedro, e consegui recuperar um pouco do fôlego em meio ao meu colapso emocional.

"Arthur!" Dona Helena olhou para ele, incrédula. "Você ainda está protegendo ela?"

"Você não viu? Ela te traiu da forma mais baixa! O nome da nossa família foi jogado na lama por culpa dela!"

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O rosto de Arthur estava sombrio, mas seu olhar permanecia inabalável.

"Mãe, até que as coisas sejam devidamente esclarecidas, peço que não use termos tão baixos para se referir à Alice."

"Ela é minha esposa, e não permitirei que ninguém a insulte dessa forma."

Dona Helena tremia de raiva.

"Você... você ficou completamente cego por essa mulher!"

"Os fatos estão bem na sua frente, o que mais falta esclarecer? Você não conhece a sua própria condição médica?!"

Aquelas palavras foram como uma agulha atingindo o ponto mais sensível de Arthur. Senti o braço dele, que me envolvia, ficar rígido por um momento. Ele baixou levemente o olhar, e seus longos cílios esconderam a emoção que passava por seus olhos.

A sala mergulhou em um silêncio mortal. Depois de um longo tempo, ele finalmente falou, com a voz rouca.

"Eu vou ao hospital fazer um novo check-up."

Dona Helena ficou estática. Eu também.

"Aquele exame pré-nupcial foi feito há três anos." A voz de Arthur era calma, sem qualquer oscilação. "Talvez... o diagnóstico original estivesse errado."

Ao dizer aquilo, nem ele mesmo parecia acreditar. Azoospermia congênita é uma condição genética; como poderia haver um erro? Era apenas uma desculpa que ele criara para me proteger, uma que nem ele conseguia convencer a si mesmo.

Dona Helena soltou uma risada sarcástica, como se tivesse ouvido a piada mais absurda do mundo.

"Erro? Arthur, você está tentando se enganar?"

"Você tem coragem de dizer um absurdo desses só por causa dessa mulher?"

"Pois eu te digo: eu jamais aceitarei esse bastardo de origem duvidosa! Os Cavalcanti não passarão por essa humilhação!"

Dito isso, ela pegou o telefone sobre a mesa e discou um número imediatamente.

"Alô, Dr. Leonardo? É Helena Cavalcanti. Quero que prepare um acordo de divórcio agora mesmo e envie para a mansão."

"Sim, imediatamente!"

Meu coração afundou junto com o som do telefone sendo desligado. Um acordo de divórcio...

Agarrei a manga do terno de Arthur, olhando para ele. O maxilar dele estava tenso, e sua expressão era assustadora.

"Mãe!" A voz dele carregava uma fúria contida. "O que a senhora pensa que está fazendo?"

"O que eu estou fazendo?" Dona Helena me olhou com frieza. "Vou expulsar essa mulher impura da nossa casa agora mesmo!"

"Não permitirei que o bastardo que ela carrega suje o nome dos Cavalcanti!"

"Só por cima do meu cadáver!" A voz de Arthur não foi alta, mas soou definitiva.

Ele disse cada palavra pausadamente: "Enquanto eu, Arthur Cavalcanti, não der o meu consentimento, Alice continuará sendo minha esposa e a senhora desta casa."

"Ninguém vai expulsá-la daqui."

As palavras dele foram como um escudo sólido à minha frente. Olhei para o seu perfil determinado e meus olhos se encheram de lágrimas novamente. Num momento em que o mundo inteiro duvidava de mim e me desprezava, apenas ele permanecia firmemente ao meu lado. Mesmo que, no fundo, ele pudesse estar tão confuso e desconfiado quanto os outros.

Dona Helena foi completamente consumida pela fúria diante da atitude dele.

"Muito bem!" Ela repetiu, com os lábios trêmulos de raiva. "Você prefere essa mulher à sua própria mãe?"

"Pois eu deixo bem claro: ou ela, ou eu! Se você insiste em protegê-la, então saia desta casa agora mesmo!"

Mãe e filho estavam em um confronto direto; o clima era de guerra. Os empregados da casa não ousavam nem respirar, todos de cabeça baixa, querendo se tornar invisíveis.

Nesse momento, uma voz masculina e firme veio da entrada.

"Por que toda essa gritaria?"

Era Sr. Augusto Cavalcanti que acabara de chegar. Ele vestia um traje tradicional chinês e carregava duas nozes de metal nas mãos, que girava distraidamente, exalando uma autoridade natural.

Ao ver a cena de confronto na sala, ele franziu a testa.

"O que é isso? Esta casa agora virou um mercado?"

Dona Helena, ao vê-lo, pareceu encontrar um porto seguro e correu em sua direção, chorando.

"Augusto, que bom que você chegou! Veja só o seu filho... ele quer romper comigo por causa de uma mulher sem moral!"

O olhar de Sr. Augusto passou pela chorosa Dona Helena, depois pelo rosto rígido de Arthur e, finalmente, pousou no meu rosto pálido e indefeso. Seu olhar era profundo e agudo, como se pudesse ler a alma.

"O que está acontecendo aqui?" ele perguntou com voz grave.

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