《Gelo e Fogo: O Renascimento de uma Estrela》Capítulo 15

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Vitor olhou fixamente para o rosto dela banhado em lágrimas, sentindo o coração ser apertado como se por uma mão afiada.

Ele ajoelhou-se lentamente diante dela, segurando sua mão gelada e dizendo com sinceridade:

— Não peço que me perdoe agora, mas deixe-me ficar ao seu lado. Por um dia, um mês, um ano ou a vida inteira... até o dia em que você esteja disposta a acreditar em mim novamente.

Larissa retirou a mão e afastou-se, mas não o impediu de permanecer no vilarejo.

Na tarde de dois dias depois, gritos de socorro ecoaram subitamente pelo vilarejo.

Algumas crianças que brincavam à beira do rio foram surpreendidas, e uma delas acabou sendo levada pela correnteza forte.

Vitor, que estava por perto ajudando a avó a carregar água, ouviu os gritos e saltou no rio sem hesitar.

— Vitor! — Quando Larissa chegou correndo ao ouvir o barulho, viu apenas o vulto dele mergulhando na água.

O rio estava revolto e turvo devido às chuvas recentes.

Vitor nadou com esforço em direção à pequena silhueta que lutava e, no momento em que estava prestes a tocar a roupa da criança, um redemoinho o puxou para o centro da correnteza.

— Vitor! — Larissa parou na margem, observando impotente enquanto a silhueta dele subia e descia na água até desaparecer no fluxo turbulento.

Naquele instante, toda a sua fortaleza fingida desmoronou.

— Não! — Seu grito dilacerante ecoou pela margem. — Vitor! Volte! Eu te perdoo! Eu te perdoo por tudo!

Ela tentou avançar desesperadamente em direção ao rio, mas foi contida pelos moradores.

— Deixem-me salvá-lo! Ele não pode morrer! — gritava ela, quase desmaiando.

Nesse momento de desespero, houve uma agitação na parte baixa do rio.

Vitor surgiu cambaleante de entre os juncos, encharcado, mas segurando a criança salva.

Ele havia sido levado pela correnteza, mas conseguiu agarrar-se a um galho de árvore que pendia sobre o rio.

— Larissa... — chamou ele com a voz fraca.

Larissa correu até ele e o abraçou com força, as lágrimas molhando as roupas dele.

— Eu achei... achei que tivesse te perdido para sempre...

— Eu não vou mais te deixar — disse Vitor, acariciando as costas dela com uma voz doce e firme. — Nunca mais.

Uma semana depois, nos campos de flores do vilarejo e sob o testemunho da avó e dos vizinhos, eles celebraram um casamento simples e caloroso.

Vitor segurou a mão de Larissa sob uma acácia e fez sua promessa eterna.

— Larissa, usarei o resto da minha vida para provar que sua escolha não foi errada.

Após o casamento, eles voltaram juntos para a América do Norte.

A mulher chamada Aline, após o interrogatório policial, finalmente confessou todos os seus crimes.

Ela foi condenada a alguns anos de prisão e, após cumprir a pena, seria deportada.

Larissa e Vitor foram visitá-la uma última vez, e ela disse a Larissa com um sorriso amargo:

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— Você não precisa duvidar do amor do Sr. Meireles. Naquele mês, tentei me aproximar dele várias vezes, mas ele sempre recusou. Acho que, embora ele tivesse esquecido de você, o corpo dele ainda se lembrava.

Larissa e Vitor sorriram um para o outro.

Com o tempo, a carreira de patinação artística deles tornou-se cada vez mais próspera.

Suas apresentações em dupla eram aclamadas como "Poemas no Gelo", e cada show tinha ingressos esgotados.

Muitos anos depois, em uma noite, Sérgio Viana estava sentado sozinho em sua vila vazia quando, ao mudar de canal, deparou-se com um programa de entrevistas. Na tela, Vitor e Larissa estavam sendo entrevistados.

Eles sorriram um para o outro, e a sintonia e o amor naquele olhar atravessaram a tela, ferindo o coração de Sérgio.

A câmera aproximou-se, focando nas mãos entrelaçadas deles.

As alianças nos dedos anelares brilhavam sob os refletores.

O apresentador dizia com entusiasmo: "Estes são Vitor Meireles e Larissa Queiroz, o casal de ouro do gelo, que completam cinco anos de um casamento ainda tão apaixonado quanto no primeiro dia...".

Sérgio desligou a televisão.

O quarto mergulhou no silêncio. Ele caminhou até o bar e serviu-se de um uísque. Lá fora, as luzes da cidade brilhavam como estrelas, mas nenhuma brilhava para ele.

Erguendo o copo, ele sussurrou: — Seja feliz, Larissa.

Fora culpa dele; ele mesmo a empurrara para os braços de outro. O homem que a fazia feliz não era mais ele.

Sérgio olhou para a vastidão do céu noturno, soltou um longo suspiro e, após virar o copo, saltou do terraço.

Larissa viu na internet a notícia de que Sérgio ficara paraplégico após a queda e soltou um suspiro de lamento. Vitor a apressou na entrada:

— Larissa, você está pronta? O exame pré-natal está marcado e não podemos nos atrasar.

Ela desligou o celular e deu um sorriso leve.

— Já vou.

Sérgio não tinha mais nada a ver com ela. O que importava era sua vida agora, o seu tudo.

Ela segurou o braço de Vitor e, juntos, saíram de casa em direção a um futuro cheio de amor.

FIM

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