《Gelo e Fogo: O Renascimento de uma Estrela》Capítulo 13

PUBLICIDADE

O desaparecimento de Vitor Meireles mergulhou Larissa Queiroz em um poço de remorso profundo.

Na noite anterior, antes de dormir, ela comentou casualmente que estava com vontade de comer pudim de manga. Vitor, carinhoso, beijou-lhe a testa e disse: "Espere um pouco, volto logo". Ele vestiu o casaco e desceu.

Mas, desde que saiu, nunca mais voltou.

No início, as ligações não eram atendidas; depois, o celular foi desligado permanentemente. Larissa vasculhou todo o bairro e interrogou cada pessoa que pudesse tê-lo visto, mas não encontrou absolutamente nada.

Após registrar a ocorrência, a polícia analisou as câmeras de segurança, apenas para descobrir que a câmera externa do prédio estava convenientemente danificada. A única imagem capturada foi a de Vitor saindo sozinho do edifício, desaparecendo logo em seguida na imensidão da noite.

Quando a polícia perguntou se Vitor tivera desavenças recentes com alguém, o primeiro nome que surgiu na mente de Larissa foi o de Sérgio Viana. Ela correu para o aeroporto e o interceptou logo no desembarque. No entanto, as investigações revelaram que Sérgio tinha um álibi perfeito: ele havia partido da cidade em seu jato particular naquela mesma tarde.

As pistas terminaram ali. Esse resultado deixou Larissa à beira de um colapso. Ela se trancou no apartamento, parou de comer e passava os dias encarando a porta, esperando que ela se abrisse e Vitor entrasse com aquele sorriso gentil, dizendo: "Cheguei". Ela emagreceu tanto que parecia uma folha de papel, prestes a ser levada pelo vento.

Observando tudo aquilo, o ciúme de Sérgio foi substituído pela preocupação. Ele mobilizou toda a sua rede de contatos e recursos no exterior, oferecendo recompensas generosas por qualquer pista, apenas para encontrar o homem que considerava seu rival.

No entanto, antes que Vitor retornasse, Larissa adoeceu.

— Larissa, você precisa comer algo — implorou Sérgio no quarto do hospital.

Larissa virou o rosto, encarando o vazio da janela. — Sem encontrá-lo, eu não consigo.

Sérgio silenciou por um longo tempo. Respirou fundo e disse: — Encontrei uma pista.

Larissa virou-se bruscamente, com um brilho de esperança nos olhos. — Onde ele está?

— Mas... — a voz de Sérgio soou grave e sombria. — Talvez você não queira ver a situação atual dele.

Ela agarrou o braço de Sérgio com as mãos trêmulas, as unhas quase cravando na pele dele. — Me diga, o que aconteceu com ele?

Sérgio olhou para o rosto pálido dela e suspirou. — Coma algo primeiro e recupere suas forças. Quando você estiver melhor, eu mesmo te levo para vê-lo.

Após Larissa forçar algumas colheradas de canja, Sérgio a levou de carro, atravessando a área urbana luxuosa em direção a uma favela decadente no outro extremo da cidade. Por fim, o carro parou diante de uma barraca de lanches improvisada.

Larissa mal pôde acreditar no que seus olhos viam. Aquele homem de camiseta barata, manejando com habilidade os ingredientes na chapa, era inconfundivelmente Vitor Meireles! Ele parecia mais magro e com a pele um tom mais escura. Ao lado dele, uma jovem de rabo de cavalo limpava delicadamente o suor da testa dele. A imagem dos dois sorrindo um para o outro atingiu Larissa como um golpe físico.

PUBLICIDADE

— O que significa isso? — a voz dela falhou.

Sérgio explicou em tom baixo: — Descobri que, naquela noite, Vitor foi atropelado por um carro. A motorista era uma imigrante ilegal chamada Aline, essa mulher que está com ele agora. Com medo de ser deportada, ela não chamou a polícia e levou Vitor, que estava ferido, consigo.

— E por que ele não me procurou?

— Ele...

Antes que Sérgio pudesse responder, Larissa abriu a porta do carro e correu em direção à silhueta que tanto desejava.

— Vitor... — ela chamou baixinho, com uma voz carregada pela saudade e pelo sofrimento daquele mês.

Vitor ergueu a cabeça, franziu levemente a testa e perguntou com uma polidez distante: — Pois não, quem é a senhora?

 

As palavras de Vitor foram como um golpe de marreta no coração de Larissa. Uma tristeza e um desespero extremos a dominaram; sua visão escureceu e ela desabou. No instante antes de ela atingir o chão, o coração de Vitor sentiu uma pontada súbita e inexplicável. Embora não tivesse nenhuma lembrança daquela mulher, seu corpo reagiu antes da consciência.

Ele deu um passo à frente para ampará-la, mas Aline segurou seu braço, sussurrando apressada: — Não vá! Somos clandestinos, não procure problemas...

Nesse momento, Sérgio já havia avançado e segurado com firmeza o corpo inerte de Larissa. Ele lançou um olhar complexo para Vitor, que permanecia estático, e levou Larissa de volta para o carro sem dizer uma palavra.

Quando Larissa recuperou os sentidos no banco de trás, Sérgio disse suavemente:

— Vitor sofreu uma lesão na cabeça e perdeu a memória. Durante este mês, ele acreditou que ele e Aline eram um casal que lutava junto pela sobrevivência, mantendo essa barraca para subsistir.

Dominada pela dor, Larissa decidiu chamar a polícia. Os agentes agiram rapidamente e levaram Aline sob custódia. Vitor foi levado de volta ao apartamento deles, mas, diante do ambiente onde vivera, sua mente permanecia um completo vazio.

Ao saber que Aline poderia ser processada e deportada, ele perdeu o controle emocional: — Com que direito vocês a prenderam?

Ele encarou Larissa com fúria. — Ela é a única família que eu tenho aqui!

— Vitor, não é assim, ela está te enganando... — tentou explicar Larissa, com lágrimas nos olhos.

— Como seria possível? — Vitor riu com sarcasmo, recusando-se a ouvir. — Quando eu não tinha nada, sem saber sequer quem eu era, foi ela quem me acolheu! Se ela for deportada, eu também não ficarei aqui!

As palavras de Vitor foram como uma faca afiada rasgando o coração de Larissa. Eles haviam se desencontrado por quase dez anos e, agora que finalmente estavam juntos, enfrentavam um abismo ainda maior.

— Vitor, você não se lembra de absolutamente nada sobre mim? — ela perguntou entre soluços.

Sérgio, observando os olhos inchados de Larissa, não aguentou e interveio:

— Vitor, recupere o juízo! A Larissa é a sua namorada! Você sofreu um acidente e perdeu a memória, essa Aline mentiu para você!

— Namorada?

Vitor alternou o olhar entre Larissa e Sérgio, com um tom carregado de ironia:

— Se ela é minha namorada, por que você é tão íntimo dela?

Sérgio ficou sem palavras, e as lágrimas de Larissa não paravam de cair. Ao vê-la chorar, Vitor sentiu novamente aquela pontada estranha no peito. Ele reprimiu a sensação e disse friamente:

— Eu realmente não me lembro de nada, mas acredito que a Aline é uma boa pessoa. Desde que acordei, foi ela quem cuidou de mim. Ela passava fome para me comprar pão. Onde ela está presa? Quero vê-la.

Larissa, vendo a preocupação dele com outra mulher, sentiu o coração dilacerado. Ela limpou as lágrimas e disse baixinho: — Você não acredita, não é? Então eu vou te levar até ela.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia