Larissa Queiroz usou toda a sua força, mas não conseguiu se livrar do confinamento de Sérgio Viana.
Em um momento de desespero, ela cravou os dentes no ombro dele com força.
A dor aguda fez Sérgio soltar um gemido baixo, afrouxando o aperto. O sangue manchou sua camisa branca imaculada, espalhando um tom de vermelho vibrante sobre o ombro.
Ele olhou para ela sem acreditar, com os olhos misturando choque e uma profunda derrota.
Sérgio levantou-se lentamente, olhou para o ferimento e depois encarou os olhos dela, cheios de cautela e determinação. Por fim, ele disse com amargura:
— Tudo bem, muito bem. Larissa, eu vou esperar. Vou esperar pelo dia em que você me perdoe e me aceite de volta.
A "espera" de que Sérgio falava era mantê-la prisioneira naquela ilha particular, aguardando que ela cedesse. Ele vinha todos os dias, acompanhava-a nas três refeições e tentava conversar, como se fossem realmente um casal comum de férias. Larissa, contudo, respondia apenas com silêncio, como uma boneca de porcelana sem alma.
Mas, sob sua aparência calma, ela planejava constantemente como escapar. No entanto, os empregados da vila falavam uma língua nativa que ela não entendia nada; não importava como gesticulasse ou perguntasse, recebia apenas sorrisos vagos. Ela tentou fugir uma vez, mas antes de ir longe, foi cercada por seguranças com cães de caça e "gentilmente" levada de volta. Desde então, percebeu que as patrulhas do lado de fora haviam se tornado mais intensas.
A esperança, naquele confinamento diário, era desgastada aos poucos.
A reviravolta aconteceu em uma noite de tempestade furiosa. O confronto de dias parecia ter exaurido Sérgio física e mentalmente; após terminar o trabalho, ele acabou caindo em um sono profundo no sofá da sala. Larissa, descalça, saiu silenciosamente como um gato. Ela viu o paletó de Sérgio jogado casualmente no braço do sofá, com o contorno quadrado do celular aparecendo no bolso.
Ela prendeu a respiração, retirou o aparelho com todo o cuidado e voltou rapidamente para o quarto, trancando a porta. Escondida no banheiro, ela discou trêmula aquela longa sequência de números gravada em seu coração.
— Alô?
Quando a voz sonolenta de Vitor Meireles veio pelo receptor, as lágrimas de Larissa transbordaram instantaneamente.
— Vitor... sou eu... — ela não conseguiu conter o soluço. — O Sérgio me prendeu... em uma ilha... não sei onde estou...
— Larissa?! — Vitor despertou na hora, chocado e ansioso. — Como você está? Está segura? Calma, me conte devagar, o que você vê?
— Mar... mar por todos os lados... a casa é grande, branca... tem um grande manguezal... acho que estamos no Pacífico...
Ela descrevia tudo de forma desconexa, com as lágrimas caindo sem parar.
— Ele dormiu, eu peguei o celular dele... posso ser descoberta a qualquer momento...
— Ouça, Larissa, mantenha a calma — a voz de Vitor era firme, transmitindo uma força que a tranquilizava. — Proteja-se, eu vou usar todos os meios possíveis para te encontrar! Confie em mim!
— Eu confio... — a visão dela estava embaçada pelas lágrimas. — Preciso desligar... Vitor, eu...
— Eu sei. Aguente firme, espere por mim.
Desligando às pressas, Larissa apagou rapidamente o registro de chamadas. Após verificar que tudo estava em ordem, respirou fundo, preparando-se para devolver o aparelho. No entanto, no instante em que saiu do quarto, ela parou estática. No sofá, Sérgio já havia acordado. Ele estava sentado ali, em silêncio, com olhos escuros e profundos, observando-a sem nenhum calor.
O olhar de Sérgio pousou no celular que Larissa ainda não tivera tempo de devolver. Ele levantou-se lentamente, e a pressão ao seu redor tornou-se assustadora.
— Para quem você ligou? Para o Vitor?
Larissa apertou o aparelho, recuando por instinto.
— Fale! — Sérgio aumentou o tom de voz. A ansiedade reprimida por tanto tempo explodiu naquele momento. Ele arrancou o celular da mão dela e a agarrou pelos ombros com tanta força que parecia que ia esmagar seus ossos. — Eu fiz tanto por você! Eu queria entregar o mundo inteiro aos seus pés! Por que você ainda me traiu?! Por que insiste em procurá-lo?!
A dor nos ombros era intensa, mas Larissa ergueu o rosto com teimosia, encarando-o nos olhos com uma voz gélida:
— Traição? Sérgio, não acha engraçado dizer isso para mim? Foi você quem me traiu primeiro! Foi você quem teve um filho com outra mulher! Foi você quem quebrou nossos votos antes de tudo! Que direito você tem de estar aqui me questionando?!
— Eu...
Sérgio ficou paralisado pelas acusações em série. Os erros que ele tentava minimizar foram expostos de forma crua. Aquela fúria selvagem foi como um balão furado, esvaindo-se instantaneamente. Por fim, ele a soltou e sua voz baixou:
— Aqui não é mais seguro, vamos embora agora.
Ele praticamente a arrastou pela sala e para fora da vila. Lá fora, a tempestade não dava trégua, e gotas pesadas de chuva caíam sobre os dois. Os seguranças acompanharam com guarda-chuvas enquanto Sérgio levava Larissa direto para um iate de luxo atracado no píer.
— Me solte! Para onde está me levando?
Larissa lutava no convés escorregadio, com a chuva embaçando sua visão e um forte pressentimento ruim crescendo em seu peito.
— Para um lugar onde existiremos apenas nós dois, um lugar onde ninguém possa nos encontrar.
Sérgio a levou para a cabine e ordenou à tripulação:
— Partam agora!
O iate afastou-se lentamente do píer, cortando as ondas escuras em direção ao mar profundo e imprevisível. A vila iluminada na ilha foi ficando borrada e pequena em meio à cortina de chuva. O coração de Larissa afundou. Uma vez em mar aberto, mesmo que Vitor tivesse grandes habilidades, a esperança de encontrá-la seria mínima.
Ela não queria mais ser prisioneira, não queria mais aquela vida sem luz. Uma coragem súbita e absoluta brotou em seu peito. Sérgio estava de costas para ela, falando algo com o capitão. Larissa aproveitou a chance, soltou-se e correu para o convés com toda a sua força.
— Larissa! — Sérgio percebeu e correu atrás dela, tentando alcançá-la.
No exato instante em que os dedos dele estavam prestes a tocar a ponta da roupa dela, Larissa saltou sem hesitar, mergulhando nas águas geladas do mar. O grito de pânico de Sérgio atravessou a chuva:
— Lancem o bote salva-vidas agora! Minha esposa não sabe nadar!
Larissa prendeu a respiração e começou a nadar vigorosamente no oceano. Sérgio não sabia, mas ela havia aprendido a nadar. Desde aquele dia no lago, quando ele escolheu Sabrina sem hesitar, ela entendeu que não podia mais depender dele; precisava ser forte por conta própria.
A chuva batia na superfície do mar com um som rítmico. As ondas a pressionavam para baixo repetidamente, mas ela lutava para emergir, nadando com todo o empenho. Agora, seu objetivo era claro: nadar de volta para a ilha, encontrar um lugar para se esconder e ganhar tempo. Vitor já devia ter chamado a polícia; assim que conseguissem rastreá-la, ela estaria salva.
O iate estava próximo, com holofotes varrendo a superfície escura do mar freneticamente. Sob a luz, Larissa avistou, não muito longe, uma barbatana dorsal escura cortando a água, aproximando-se rapidamente de sua direção.
Merda, um tubarão!