《Gelo e Fogo: O Renascimento de uma Estrela》Capítulo 9

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Larissa Queiroz olhou para o anel de diamante em suas mãos, marcado pelas marcas do tempo, sentindo um turbilhão de emoções.

Ela agachou-se lentamente, ficando na altura dos olhos dele.

"Vitor, eu sei melhor do que ninguém o quão preciosa é a sua sinceridade. É exatamente por isso que não posso aceitá-la tão facilmente".

Ao ver a expressão ferida no rosto dele, ela também sentiu um aperto no coração, mas continuou com determinação: "Acabei de sair de um casamento fracassado; dizer que estou coberta de cicatrizes não seria exagero".

"Se eu aceitasse seus sentimentos agora, seria injusto com você".

"Não posso levar minhas feridas para um novo relacionamento, muito menos usá-lo como um analgésico para minha dor".

Vitor tentou falar, mas ela balançou a cabeça suavemente e continuou:

"Você merece uma Larissa completa, não uma versão fragmentada de mim".

Observando o brilho nos olhos dele diminuir gradualmente, ela estendeu a mão e cobriu suavemente a mão dele que segurava a caixa do anel.

"Mas, por favor, acredite que, se um dia eu realmente sair dessa sombra, se eu reencontrar a coragem de amar alguém... você será a primeira e única pessoa que estarei disposta a considerar".

Vitor olhou profundamente para ela e, por fim, fechou lentamente a caixa do anel.

"Eu posso esperar. Já esperei dez anos, não me importo de esperar mais dez".

Ele colocou a caixa solenemente na palma da mão dela.

"Guarde isso com você por enquanto. Quando estiver pronta, me dê sua resposta".

Larissa apertou a caixa de veludo fria em suas mãos enquanto lágrimas caíam silenciosamente.

A compreensão e o respeito de Vitor a emocionaram profundamente.

Ao lado, Sérgio Viana, observando a troca de olhares afetuosa entre os dois, sentiu o último fio de sua racionalidade se romper.

Ele avançou bruscamente, arrancou a caixa do anel das mãos de Larissa e a arremessou diretamente do terraço.

"O que você está fazendo!"

Vitor colocou-se imediatamente à frente de Larissa para protegê-la, seus olhos, geralmente gentis, agora cortantes como lâminas voltados para Sérgio.

Sérgio, porém, nem olhou para ele, mantendo os olhos fixos em Larissa, com um tom de voz duro e urgente:

"Lari, pare com essa bobagem! Volte para o Brasil comigo! Nossos problemas nós resolvemos lá entre nós! Por que você tem que encenar esse tipo de drama aqui!"

Larissa ficou atônita com o gesto bruto e repentino, mas logo foi tomada por uma decepção infinita.

Ela correu escada abaixo e encontrou a caixa do anel na grama, já umedecida pelo orvalho da noite.

Sérgio a seguiu. Segurando o anel, ela ergueu o rosto e olhou diretamente para ele.

"Drama? Sérgio, até agora você ainda acha que estou fazendo birra ou encenando?"

"Você me enganou repetidas vezes por causa da Sabrina, chegando ao ponto de assinar o perdão por ela".

"Você acha que nós dois ainda podemos voltar ao que éramos?"

A cada frase dela, o rosto de Sérgio empalidecia um pouco mais.

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"Eu não vou voltar com você", Larissa disse de forma categórica.

"Você me causa nojo, e a sua família também. Eu nunca vou perdoar vocês pelo que fizeram comigo".

Ela se virou, sem olhar mais para o rosto pálido de Sérgio, e subiu as escadas, deixando apenas um aviso:

"A festa continua. Quanto a você, saia o mais rápido possível. Caso contrário, pedirei aos seguranças que o retirem".

No terraço, a música continuou, e Larissa pegou a mão de Vitor; os dois começaram uma valsa sob as luzes suaves.

Sérgio, lá embaixo, observava as silhuetas dos dois abraçados enquanto seu olhar escurecia gradualmente.

Ele sussurrou para si mesmo:

"Já que é assim, só me resta usar métodos extremos. Larissa, não me culpe".

————————————

Após a alta hospitalar, Larissa acompanhou Vitor até a cidade de Nova York, na América do Norte.

Ela alugou um apartamento aconchegante perto do renomado teatro no gelo dele.

Uma vez instalada, começou a treinar intensamente no rinque, tentando recuperar sua forma física de pico.

Certa noite, ela ficou praticando sozinha no teatro até tarde.

À uma da manhã, deixou o local exausta.

As ruas estavam desertas e silenciosas; ela apertou seu sobretudo e caminhou apressadamente de cabeça baixa.

De repente, uma limusine estendida deslizou silenciosamente para o seu lado.

Antes que pudesse reagir, a porta se abriu e uma mão poderosa a puxou para dentro.

"Socorro..."

Um lenço com um odor forte foi pressionado contra seu nariz e boca.

Ela lutou desesperadamente, suas unhas deixando marcas profundas no braço do agressor, mas sua consciência se desvaneceu rapidamente...

Quando acordou, a primeira coisa que ouviu foi o som das ondas.

Ela sentou-se e percebeu que estava em um quarto desconhecido.

O quarto era espaçoso e luxuosamente decorado, com uma janela panorâmica que dava para um oceano azul infinito.

"Gostou daqui?"

A voz de Sérgio veio da porta. Ele vestia uma camisa casual e parecia tão calmo quanto se estivessem em férias comuns.

Larissa compreendeu imediatamente sua situação.

Ela agarrou o abajur de cristal na cabeceira e o arremessou com força:

"Você enlouqueceu! Isso é um sequestro!"

Sérgio esquivou-se, e o abajur estilhaçou-se contra a parede.

"Eu só trouxe você para casa".

Seu tom era gentil, mas a fez estremecer.

"Veja como este lugar é bom: sem o Vitor, sem aqueles problemas do passado, apenas você e eu. Podemos começar de novo".

"Começar de novo?"

Larissa tremia de raiva.

"Depois de tudo o que você fez comigo? Depois que sua amante quebrou minha perna? Sérgio, você não tem cura!"

Ela tentou correr para a porta, mas ele a segurou pelo pulso.

"Eu não vou deixar você ir, Larissa".

Ele tinha um olhar obsessivo.

"Você é minha esposa, sempre será. Já que não quis voltar por vontade própria, terei que usar meu próprio jeito para mantê-la comigo".

Larissa, vendo a fixação maníaca nos olhos dele, percebeu que o confronto naquele momento era inútil.

Ela respirou fundo e forçou-se a se acalmar.

"Você sabe de uma coisa?"

Ela sorriu subitamente, um sorriso carregado de frieza.

"Mesmo que você me mantenha presa aqui pelo resto da vida, eu nunca vou te perdoar. A cada minuto, estarei pensando em como fugir de você".

A expressão de Sérgio contorceu-se por um instante, mas logo voltou ao normal.

Ele acariciou suavemente o rosto dela, um gesto de ternura.

"Você pode me odiar. Pelo menos, enquanto me odeia, seus olhos estão apenas em mim".

Ela afastou a mão dele e perguntou em voz baixa: "E o que você vai fazer com a Sabrina? E o bebê que ela está esperando?"

A expressão de Sérgio mudou ligeiramente.

"Ela nunca significou nada. Desde o início, foi apenas porque minha mãe queria um neto. Depois que o bebê nascer, a família Viana cuidará dele; não terá nada a ver conosco".

Essa resposta fez Larissa sentir um calafrio na alma. Ela finalmente entendeu que o homem à sua frente não era mais o Sérgio que amara, mas um louco capaz de tudo para atingir seus objetivos.

"Sérgio, você acha que o fato de desprezar a Sabrina me faria te perdoar?"

"Digo a você: só sinto ainda mais desprezo. Você é cruel tanto comigo quanto com ela. Para mim, você é apenas um homem egoísta e sem nenhuma responsabilidade".

Ela olhou fixamente nos olhos dele, com o rosto gélido.

"Mesmo que me prenda para sempre, eu não vou ceder. Porque tenho certeza de que não amo mais você".

As palavras dela deixaram Sérgio com os olhos injetados de sangue; ele a empurrou na cama e inclinou-se sobre ela.

"Você é minha esposa, você só pode amar a mim".

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