《Gelo e Fogo: O Renascimento de uma Estrela》Capítulo 8

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Vitor Meireles enfrentou o olhar hostil de Sérgio com serenidade, mantendo o tom de voz calmo:

— Agora sou o empresário da Larissa. Vir visitar minha estrela principal é mais do que natural.

— Você!

Sérgio sentiu o sangue ferver diante daquela atitude despreocupada, mas, não querendo perder a compostura na frente do rival, disse:

— Larissa, peça para esse estranho sair. Preciso falar com você a sós.

Vitor nem sequer olhou para ele. Com os olhos fixos em Larissa, disse suavemente:

— Esclareça as coisas com ele. Estarei bem ali na porta. Me chame se precisar de qualquer coisa.

Larissa assentiu levemente. Sérgio cerrou os punhos e observou-o sair, praguejando mentalmente:

"Cínico aproveitador"

.

A porta se fechou suavemente, deixando os dois sozinhos. Sérgio aproximou-se imediatamente, e o ciúme e a raiva contidos por tanto tempo finalmente explodiram:

— Por que logo o Vitor? Você sabe muito bem que ele sempre teve segundas intenções com você!

Larissa ergueu o olhar, com os olhos frios como gelo.

— E você? Por que se envolveu com a Sabrina?

— Aquilo foi um acidente! — explicou Sérgio, apressado. — Naquela festa eu estava bêbado, não sabia o que estava acontecendo... Quando acordei, ela estava na cama ao meu lado...

Ele ajoelhou-se diante da cadeira de rodas, tentando segurar a mão dela.

— Lari, eu sei que errei. Foi realmente apenas um acidente. Eu juro que, nesta vida, só amarei você...

— Acidente?

Larissa esquivou-se da mão dele e soltou um riso curto, carregado de uma amargura cortante.

— E se fosse eu a te dizer que, por um "acidente", engravidei de outro homem, você me perdoaria?

Sérgio paralisou, e seu rosto empalideceu instantaneamente.

— Isso... isso é diferente...

— Diferente em quê?

O olhar dela era como uma lâmina cravada no fundo do coração dele.

— É porque você é homem, e por isso sua traição se chama "acidente", enquanto eu sou mulher e deveria ser pregada no pilar da infâmia?

— Não é isso, eu...

— Sérgio, guarde esse seu padrão duplo para você. — Ela o interrompeu com uma voz calma, porém firme. — No momento em que você escolheu encobrir a Sabrina, tudo acabou entre nós.

Sérgio ainda não desistia:

— Nossos anos de relacionamento não significam nada para você agora?

— Relacionamento?

Ela repetiu em voz baixa, como se saboreasse uma palavra estranha.

— Quando você escondia de mim que estava cuidando da gravidez da Sabrina, pensou nos nossos anos juntos? Quando eu quase morri atropelada pelo Samuel e você assinou o perdão para proteger a Sabrina, pensou nos nossos anos juntos?

Ela olhou diretamente nos olhos dele, palavra por palavra:

— Sérgio, de todas as pessoas, você é a que menos tem o direito de falar em sentimentos.

Dito isso, ela apertou a campainha da cadeira de rodas. Em poucos segundos, Vitor entrou no quarto.

— Terminaram? — Ele caminhou naturalmente até Larissa e pousou a mão suavemente no ombro dela.

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Larissa assentiu e olhou para ele com um sorriso de alívio.

— Vamos embora.

Observando Vitor empurrar Larissa para longe, o pânico no coração de Sérgio cresceu descontroladamente.

No entanto, cada questionamento dela fora como um martelo golpeando seu coração, impedindo-o de segui-los.

Ele já havia perdido seu lugar, perdido seus direitos. Mas, no fundo, o inconformismo ainda gritava. Eles já foram tão felizes.

Para aquela silhueta decidida que se afastava, ele gritou:

— Lari, eu não vou desistir! Eu só amo você! Eu farei você voltar para mim!

 

Sérgio instalou-se no centro de reabilitação e deu início à sua jornada de redenção.

Todas as manhãs, ele aparecia pontualmente diante do quarto de Larissa com um buquê de flores frescas.

Eram rosas de todos os tipos, cada buquê acompanhado de um cartão escrito à mão:

"Lembrei que você ama o perfume das rosas. Espero que elas tragam um pouco de alegria ao seu dia"

.

Larissa apenas lançava um olhar indiferente e pedia aos enfermeiros que distribuíssem as flores para os outros pacientes. Às vezes, Sérgio tentava acompanhá-la na fisioterapia, mas ela apenas recusava educadamente:

— O Sr. Meireles já providenciou fisioterapeutas profissionais para mim. Não quero incomodar o Sr. Viana.

Sob a orientação profissional dos médicos e a companhia dedicada de Vitor, a lesão na perna de Larissa recuperou-se rapidamente.

Em um mês, ela já conseguia deixar a cadeira de rodas e caminhar de forma independente com o auxílio de uma bengala.

No dia da alta, Vitor organizou uma festa de celebração calorosa no jardim do centro de reabilitação.

Luzes coloridas brilhavam nas árvores, e a mesa estava repleta de doces finos e champanhe.

Os convidados eram os amigos e terapeutas que ela conhecera durante aquele período.

— Parabéns por recuperar sua saúde, Larissa. — Vitor ergueu a taça com um olhar terno. — Que cada passo seu, daqui em diante, seja firme e livre.

Enquanto todos brindavam, uma figura não convidada surgiu na entrada do terraço.

Sérgio, vestindo um terno sob medida impecável, caminhou em direção a Larissa carregando um buquê de rosas amarelas vibrantes.

— Parabéns pela alta, Lari.

Ele estendeu as flores para ela e disse em voz alta para todos:

— Como marido dela, agradeço profundamente a todos pelo cuidado que tiveram com a minha esposa neste período.

O jardim mergulhou em um silêncio absoluto. Todos os olhares voltaram-se para eles. Larissa não aceitou as flores. Em vez disso, olhou calmamente para os presentes e disse com clareza:

— O Sr. Sérgio Viana é meu ex-marido. Nós já estamos divorciados.

Essa frase foi como um tapa sonoro no rosto de Sérgio, que empalideceu instantaneamente. Ele forçou um sorriso:

— Lari, eu sei que você ainda está brava, mas entre nós...

— Entre nós, tudo terminou. — Ela o interrompeu e fez menção de sair.

Nesse momento, Vitor, que estivera em silêncio, deu um passo à frente. Sob o olhar de todos, ele se ajoelhou. O público ficou em choque.

— Vitor? — Larissa olhou para ele, surpresa.

Vitor tirou uma caixa de veludo do bolso. Ao abri-la, revelou um anel de diamante. A pedra era deslumbrante, mas o design era clássico, sugerindo que não fora comprado recentemente. Com os olhos cheios de afeto, ele disse com sinceridade:

— Larissa, há dez anos, quando te vi pela primeira vez no gelo, eu soube que nunca mais conseguiria desviar meus olhos de você.

Larissa sentiu a respiração travar e seus olhos ficaram marejados. A imagem do jovem que sempre a protegeu em silêncio fundiu-se com a do homem maduro à sua frente.

— Quando você escolheu deixar as competições e se casar, eu respeitei sua decisão, mas nunca deixei de te amar. — A voz de Vitor estava embargada. — Nós já perdemos tempo demais.

Ele ainda se lembrava de quando, anos atrás, após conquistarem o título mundial, planejava se declarar durante uma entrevista.

Mas, antes que pudesse falar, ela anunciou radiante que estava apaixonada por Sérgio.

Anos depois, quando ela e Sérgio brigaram e quase terminaram, ele comprou este anel para pedi-la em casamento.

Mas ela anunciou o noivado e a aposentadoria repentina. Desta vez, ele não queria chegar atrasado novamente.

Olhando nos olhos marejados de Larissa, ele ergueu o anel com um olhar ardente e firme:

— Larissa, não peço que me aceite imediatamente. Só peço que me dê uma chance de estar ao seu lado. Se um dia você quiser passar o resto da vida com alguém, por favor, me considere como sua primeira opção, pode ser?

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