《Gelo e Fogo: O Renascimento de uma Estrela》Capítulo 5

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A tão esperada apresentação de despedida de Larissa Queiroz acabou fracassando. Ela sofreu um acidente de carro e foi levada às pressas para o hospital.

Com várias contusões nos tecidos moles, uma fratura na perna direita e uma leve concussão, ela ficou deitada na cama, incapaz de se mover.

Quando ela acordou, encontrou Sérgio Viana sentado ao lado da cama, com o rosto cheio de ansiedade.

"Lari, você finalmente acordou!".

Ele apertou a mão dela com força, com os olhos vermelhos.

"Você não sabe como eu sofri nesses dois dias...".

Larissa retirou a mão e perguntou suavemente: "Quem me atropelou? Ele foi pego?".

A expressão de Sérgio tornou-se instantaneamente pouco natural.

Nesse momento, Dona Silvana entrou no quarto com uma tigela de sopa e interrompeu com um sorriso radiante:

"Lari, eu estava querendo te falar sobre isso. O rapaz que te atropelou acabou de tirar a carteira, e a situação da família dele é difícil; não foi por querer. Já assinamos o termo de perdão por você".

Enquanto falava, ela levou a colher à boca de Larissa: "Tome um pouco de sopa para fortalecer o corpo".

Larissa notou a gordura flutuando na superfície e os restos de ossos no fundo; ela percebeu imediatamente que eram sobras de outra pessoa.

Provavelmente era a sopa nutritiva feita para aquela gestante.

A raiva e a humilhação surgiram em seu coração, mas no momento ela mal conseguia se virar na cama, então não era prudente confrontá-los.

Ela virou o rosto e disse baixinho:

"Estou cansada, quero ficar sozinha por um tempo".

Dona Silvana manteve o sorriso falso:

"Tudo bem, descanse, nós vamos indo".

Sérgio ainda hesitou, mas foi arrastado para fora do quarto por sua mãe.

Antes de fecharem a porta, Larissa ouviu vagamente ela dizer:

"Ela nem morreu, por que precisa de tanto cuidado?".

Essas palavras foram como uma faca em seu coração, fazendo até suas costelas doerem. Ela mal podia esperar para deixar São Paulo e ficar o mais longe possível da família Viana.

Três dias depois, conseguindo apenas ficar de pé com uma perna, ela discou aquele número:

"Vitor, quero ir para o Canadá para me recuperar, você pode organizar?".

Do outro lado, veio uma risada baixa:

"Estava esperando por essas palavras, minha rainha do gelo".

Logo após desligar, Sérgio entrou.

"Lari, ainda dói?".

Ele se inclinou, tentando acariciar o cabelo dela com carinho.

"Não se preocupe, já entrei em contato com o melhor especialista ortopédico; com certeza você voltará ao que era antes".

Larissa olhou para aqueles olhos lacrimejantes e achou tudo aquilo extremamente irônico.

Ele dizia que a amava e que se importava, mas ontem à noite, ao acordar com dor, ela o ouviu claramente no terraço falando ao telefone com Sabrina Mendes.

Foi justamente essa ligação que a fez saber que quem a atropelou foi Samuel Mendes, o irmão mais novo de Sabrina.

O motivo pelo qual a família Viana estava com tanta pressa para assinar o perdão era apenas o medo de que Samuel fosse preso e isso afetasse a gravidez de Sabrina.

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O que mais a gelou foi ouvir Sérgio confortando o outro lado da linha com ternura:

"Larissa teve apenas ferimentos leves, não é nada de mais. Agora, o mais importante é você manter a calma para o bebê, não pense em bobagens".

Ele sabia melhor do que ninguém o que uma perna significava para uma patinadora.

Mas, em suas palavras, tornou-se apenas um ferimento leve.

Uma forte sensação de náusea surgiu. Larissa virou o rosto, evitando o toque dele.

"Pode sair? Não quero te ver".

A mão de Sérgio ficou suspensa no ar, olhando para ela atônito: "Lari, você descobriu alguma coisa?".

Antes que ele pudesse terminar, Dona Silvana apareceu novamente sem ser convidada, com o mesmo sorriso:

"Sérgio, um parente da família também está internado, bem aqui no andar de cima. Venha comigo dar uma olhada, não perca a educação".

Larissa sorriu internamente com desdém. Que parente; era apenas a pressa de ir visitar Sabrina Mendes, que carregava o "neto de ouro".

Pálida, ela parou de olhar para eles e fechou os olhos. Sérgio hesitou por um momento, mas acabou respondendo um "sim" baixo e saiu do quarto com a mãe.

Ele mal sabia que, pouco depois de sua partida, um helicóptero pousou no heliponto no topo do hospital.

Larissa, em uma cadeira de rodas, foi escoltada por vários guarda-costas para o embarque.

Pela janela, as luzes da cidade desapareciam gradualmente.

Em seu coração, ela sussurrou:

"Adeus, Sérgio".

A traição dele, o afastamento dele e a dor causada por ele, tudo se tornaria passado.

De agora em diante, Larissa seria apenas ela mesma.

No entanto, essa despedida não seria silenciosa.

Ela bagunçou o cabelo com as mãos, usou batom para desenhar várias marcas de sangue realistas na bochecha e, então, ergueu lentamente o celular, pressionando o botão de gravar.

Em meio ao rugido do motor, ela deu um sorriso quebrado para a câmera.

Esse presente de divórcio, Sérgio merecia ter.

————————————

Desde o último incidente na água, Sabrina Mendes não se sentia bem e abriu um quarto VIP no hospital para repouso.

Dona Silvana vivia insistindo para que Sérgio fosse vê-la. Sérgio não pôde recusar o pedido da mãe e teve que ir.

No entanto, no momento em que ele ia empurrar a porta, uma conversa escapando pela fresta o fez parar. "...não se preocupe, eu já providenciei tudo. Eu disse ao Samuel para mirar bem ao atropelar; não ia matá-la, mas aquela perna com certeza está arruinada. Vamos ver como ela vai seduzir homens agora...".

Sabrina estava ao telefone com a família, sorrindo vitoriosa.

Mas aquele riso era como agulhas de gelo envenenadas, perfurando o coração de Sérgio.

O sangue em seu corpo parecia correr ao contrário, e ele ficou estático no lugar.

BUM!

Ele escancarou a porta com um chute.

O estrondo fez Sabrina se virar aterrorizada na cama.

"Sr... Sr. Viana?".

"Foi você quem mandou seu irmão atropelar a Larissa?!".

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Sérgio aproximou-se passo a passo, com a voz tremendo de fúria extrema e o olhar gélido.

"Aquele acidente não foi um acidente de jeito nenhum!".

Sabrina ficou pálida de susto e balbuciou:

"Não, não é isso, Sérgio, deixe-me explicar...".

"Explicar? Eu ouvi com meus próprios ouvidos!".

Sérgio afastou a mão que ela estendia, com uma fúria sem precedentes que o fazia quase perder o controle.

"Como você ousou fazer isso com ela?! Como você ousou?!".

A gritaria atraiu Dona Silvana, que entrou correndo para segurar o filho.

"Sérgio! Você enlouqueceu?! Sabrina ainda está grávida, como você pode assustá-la assim?!".

Sérgio soltou a mão da mãe e apontou para Sabrina com os olhos cheios de ódio.

"Mãe, você não ouviu? Ela mandou alguém atropelar a Larissa, isso é tentativa de homicídio! Você vai proteger uma mulher maligna dessas?".

Dona Silvana não hesitou em se colocar na frente de Sabrina, como uma galinha protegendo o pintinho.

"Mesmo assim, você não pode erguer a mão! Ela carrega em seu ventre o neto mais velho da família Viana! O que tiver que ser dito, diga depois que ela der à luz".

Essa frase foi a gota d'água.

Ao ver a postura da mãe defendendo a criminosa, toda a decepção acumulada de Sérgio explodiu.

Diante de sua mãe e de Sabrina, ele fez uma ligação:

"Alô, delegado, quero denunciar uma tentativa de assassinato contra minha esposa. Sim, foi Samuel Mendes. Não importa o que minha mãe diga, prendam o rapaz".

Sabrina quase desmaiou, vacilando:

"Não, Sérgio, não faça isso com meu irmão...".

Dona Silvana a segurou e questionou Sérgio:

"Sabrina carrega seu filho, você precisa ser tão implacável?".

Sérgio olhou friamente para Sabrina:

"Se ela não estivesse com um filho na barriga, eu a mandaria para a delegacia junto com ele".

Voltando-se para a mãe, ele disse secamente:

"Mãe, já que você preza tanto por esse neto, cuide você mesma dele. De agora em diante, essa mulher não tem mais nada a ver com Sérgio Viana!".

Ignorando o choque da mãe e os gritos de Sabrina, ele virou-se decisivamente e não olhou para trás.

Naquele momento, ele tinha apenas um pensamento: encontrar Larissa Queiroz.

Confessar tudo a ela, arrepender-se, implorar seu perdão e passar o resto da vida compensando-a.

Ele correu loucamente para o quarto de Larissa no andar de baixo, abriu a porta e gritou:

"Lari, me desculpe, eu errei...".

No entanto, a resposta foi apenas o silêncio.

Larissa não estava lá.

No criado-mudo, havia um acordo de divórcio.

Ele folheou até a última página; nela constava sua própria assinatura.

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