《Gelo e Fogo: O Renascimento de uma Estrela》Capítulo 4

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Em meio à luta entre a vida e a morte, Larissa viu Sérgio mergulhar na água.

No entanto, ele agarrou Sabrina Mendes com firmeza e nadou com todas as forças de volta para a margem.

Ele escolheu Sabrina.

Essa percepção foi mais cortante do que as águas geladas do outono.

Seu corpo afundava lentamente, e a escuridão começou a devorar sua visão.

Larissa não se conformava; ela não queria morrer daquele jeito.

Mas não havia nada que pudesse fazer...

Justo quando estava prestes a perder a consciência, um médico que passava pelo local agiu heroicamente e a puxou para fora da água.

Após tossir por um longo tempo, ela ergueu o olhar e viu Sérgio ajoelhado na margem, batendo ansiosamente nas costas de Sabrina.

Somente após certificar-se de que Sabrina estava bem, ele levantou a cabeça e avistou Larissa, completamente encharcada.

O sangue sumiu instantaneamente de seu rosto.

Ele correu em sua direção e disse, atordoado:

— Larissa! Como pode ser você? Eu não sabia... eu não sabia que era você na água! A água estava turva, eu só vi alguém lutando, eu...

Larissa levantou a mão, interrompendo suas justificativas desconexas.

— Não tem problema — disse ela, com a voz rouca.

— Realmente não importa mais.

Sérgio estacou no lugar, intimidado por aquela calma absoluta.

Ele preferia que ela chorasse, gritasse ou batesse nele, em vez de olhá-lo daquela forma, como se estivesse diante de um estranho. Larissa desviou o olhar com indiferença e agradeceu em voz baixa ao médico que a salvara.

Então, ela se virou e caminhou passo a passo, com firmeza, para longe. Cada passo parecia esmagar definitivamente sob seus pés a versão de si mesma que um dia amou Sérgio profundamente.

Aquele homem que outrora jurara protegê-la para sempre, no momento em que ela mais precisou, a empurrou pessoalmente para o abismo. O coração, de fato, pode morrer de forma tão absoluta...

Larissa voltou para a casa onde vivia com Sérgio e começou a arrumar suas malas.

Ela levou apenas as roupas e joias que havia adquirido antes do casamento; quanto ao que Sérgio lhe dera depois, ela nem sequer tocou.

Sérgio chegou às pressas e viu funcionários carregando cuidadosamente um de seus trajes de patinação favoritos para o carro.

Pálido, ele correu e agarrou o pulso de Larissa, com a voz trêmula de pânico:

— Larissa! O que significa isso?!

Larissa olhou para ele com frieza:

— As apresentações começam na semana que vem. Alguns figurinos precisam ser enviados ao teatro com antecedência.

Essa explicação não tranquilizou Sérgio completamente. Ele entrou rapidamente na casa e abriu o closet.

Ao ver que ainda restavam muitas de suas roupas e bolsas de uso diário, soltou um longo suspiro de alívio.

Ele tentou abraçá-la, com a voz carregada de gratidão:

— Você me deu um susto mortal... Achei que estava indo embora de casa.

Larissa esquivou-se do toque dele, com um sorriso irônico nos lábios:

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— Por que eu iria embora?

Sérgio ficou sem palavras por um momento, balbuciando antes de conseguir dizer: — Lari, a Sabrina é apenas minha subordinada. Naquela hora na água, quando ela gritou algo sobre um bebê, foi apenas um delírio por ter engolido água. Por favor, não pense bobagens...

Larissa apenas assentiu de forma superficial. Ela já não se importava mais. Ele já assinara o acordo de divórcio; aquele casamento existia apenas no papel.

Por quem ele sentia pena ou com quem ele tinha um filho, nada mais tinha a ver com ela.

— Nos próximos dias, não ficarei em casa — anunciou ela, em tom frio de notificação. — Reservei um quarto em um hotel perto do teatro para focar nos preparativos.

Os olhos de Sérgio ficaram marejados, e ele implorou: — Lari, você ainda está brava comigo, não está? — Eu não estou brava — respondeu ela, com o olhar sereno. — Apenas preciso de concentração.

Ele agarrou a mão dela ansiosamente: — Então eu vou com você para o hotel.

Antes que ele terminasse a frase, o celular dele tocou.

Larissa olhou de relance para a tela e viu claramente o nome brilhando:

ViVi.

————————————

A amante grávida de Sérgio estava aprontando de novo. Dizia que não estava se sentindo bem devido ao incidente no lago.

Sérgio teve que mentir mais uma vez: — Lari, espere por mim no hotel. Surgiu um problema em um projeto, vou resolver e logo te procuro.

No entanto, ele não apareceu até tarde da noite, nem sequer ligou. Por ter ficado imersa na água do lago, Larissa teve febre alta.

Delirando de febre, ela pegou o celular por instinto e discou o número de Sérgio, como era seu hábito. Ela se lembrou de um ano em que também teve febre e chorou ao telefone com ele.

Naquela época, Sérgio estava em uma viagem de negócios no exterior e, ao ouvi-la chorar, cancelou reuniões importantes imediatamente e voltou para casa naquela mesma noite para cuidar dela.

Após quase sete anos juntos, procurar Sérgio quando estava doente havia se tornado um reflexo gravado em seu ser.

Após um longo sinal de chamada, quem atendeu foi uma voz feminina suave: — Ora, Srta. Queiroz? Algum assunto com o Sérgio?

Larissa recobrou a lucidez instantaneamente.

O que ela estava fazendo? Eles já estavam divorciados! Por que ainda dependia dele?

Quando estava prestes a desligar, Sabrina soltou uma risadinha provocadora: — O Sérgio está exausto e já dormiu profundamente. Se tiver algo, que tal falar amanhã?

Larissa respirou fundo, e sua voz tornou-se gélida: — Sabrina, vou te lembrar de uma coisa: cada centavo que o Sérgio gasta com você, incluindo o apartamento onde você mora e as bolsas que você usa, faz parte dos bens comuns do casal. Se eu quiser, posso reaver tudo a qualquer momento. Então, na minha frente, é melhor você se comportar.

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Sabrina ficou sem palavras e balbuciou por um tempo, sem ousar dizer mais nada. Larissa desligou o telefone com firmeza, comprou antitérmicos por um aplicativo e pediu água quente ao hotel.

Ao tomar o remédio, disse a si mesma em silêncio: de agora em diante, ela teria que se acostumar com essa vida e aprender a cuidar de si mesma.

Pois aquele Sérgio que outrora se desesperava por qualquer mal-estar dela já havia morrido no passado e nunca mais voltaria.

Na semana seguinte, Larissa não viu Sérgio. Recebeu apenas uma ou duas ligações dele dizendo que estava viajando a negócios.

Ela sabia que ele estava cuidando de Sabrina e simplesmente não conseguia se ausentar.

Ela não se deu ao trabalho de desmascará-lo e continuou seus preparativos para o show solo como se ele não existisse.

Finalmente, chegou o dia da apresentação. Larissa acordou cedo e dirigiu até o teatro.

Ela dava extrema importância a esse show, pois provavelmente seria sua última performance de patinação artística no país por muitos anos.

Ela queria se despedir adequadamente de seus fãs locais. Enquanto dirigia, simulava mentalmente o fluxo da apresentação daquela noite.

Entretanto, em um cruzamento comum, o sinal ficou vermelho e ela parou o carro.

BUM!

Uma força avassaladora atingiu violentamente a traseira de seu veículo.

Seu corpo foi arremessado para frente sem controle, e sua cabeça bateu contra o volante. Antes que pudesse processar o susto, com a mente ainda em branco, ocorreu o segundo impacto.

O outro carro colidiu lateralmente contra a porta do motorista!

Desta vez, o impacto foi letal.

O airbag explodiu instantaneamente, atingindo com força seu rosto e peito.

Enquanto o mundo girava, o som estridente de metal retorcido e vidros estilhaçados castigava seus ouvidos.

O sangue escorria de sua testa, embaçando sua visão.

Através do para-brisa estilhaçado como uma teia de aranha, ela viu o céu e as ruas tingidos por um vermelho escarlate...

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