《Gelo e Fogo: O Renascimento de uma Estrela》Capítulo 3

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Na sexta-feira, Larissa Queiroz entrou no edifício sede da Viana Corp. carregando um acordo de divórcio. Ela já havia tomado sua decisão: confrontaria Sérgio e colocaria um fim ao casamento.

O elevador foi direto para o último andar e, assim que a porta se abriu, ela deu de cara com Sabrina Mendes sentada no posto de secretária da presidência.

Grávida de quatro meses e bem cuidada por Sérgio, Sabrina exibia uma aparência radiante, com o rosto corado e um brilho nos olhos que mal conseguia esconder a satisfação de ser mimada.

Ao ver Larissa, ela forçou um sorriso profissional, embora o rancor em seu olhar fosse quase palpável.

— Olá, você tem hora marcada?

Era uma pergunta retórica e cínica. Larissa sorriu internamente com desdém. Mesmo tendo decidido desistir de tudo, ela jamais permitiria que aquela mulher a afrontasse.

Ela arqueou os lábios em um sorriso desdenhoso e respondeu em tom arrogante:

— Chame seu chefe. Avise-o que sua querida esposa chegou e que ele deve vir me receber.

O rosto de Sabrina ficou pálido, como se tivesse engolido algo intragável. Mas, sendo resiliente, ela suprimiu suas emoções e ligou para o ramal interno.

Sérgio logo saiu da sala e, ao ver Larissa encostada na mesa de Sabrina, um lampejo de pânico cruzou seu belo rosto.

— Larissa, o que faz aqui de repente?

— Senti sua falta.

Larissa soltou um sorriso gélido, entrou no escritório dele sem olhar para trás, fazendo o som de seus saltos altos ecoar pelo corredor. Sérgio, hipnotizado por aquele sorriso, seguiu-a apressadamente.

Antes de fechar a porta, Larissa lançou um olhar deliberado para Sabrina. Ao ver os punhos da outra cerrados com força, sentiu uma onda de satisfação e fechou a porta com firmeza.

Ao se virar, porém, ela estacou. O escritório de Sérgio estava completamente transformado. Bonecos de pelúcia coloridos estavam amontoados no sofá de couro legítimo. As cortinas, antes cinza-escuro, foram substituídas por um tom suave de rosa e violeta. O vaso minimalista sobre a mesa desapareceu, dando lugar a uma peça de cerâmica em tons pastel com um lírio exuberante.

Não era preciso pensar muito para saber de quem era aquele toque. Larissa lembrou-se de quando ele assumiu a empresa e fez questão de trazê-la para ver este escritório. Naquela época, eles se beijaram apaixonadamente diante da janela panorâmica, e ele disse com sinceridade:

— Larissa, que tal você projetar a decoração daqui? Quero ver sua marca em cada canto todos os dias quando eu vier trabalhar.

Agora, todos os vestígios dela haviam sido apagados sistematicamente. Ela respirou fundo, suprimindo a amargura e a raiva que borbulhavam em seu peito, e olhou diretamente para Sérgio.

Ele parecia constrangido e, atrapalhado, começou a tirar os bonecos do sofá. — Os assistentes arrumaram isso de qualquer jeito, amanhã farei voltar ao normal. Sente-se, por favor.

Larissa não se mexeu. Olhando para aquele sofá, ela quase podia ver a imagem de Sérgio e Sabrina envolvidos ali, como na gravação no carro daquela noite: pegajosa e repugnante. Ela sentiu nojo.

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Sem hesitar, tirou o acordo de divórcio da bolsa, abriu diretamente na última página e bateu o papel com força sobre a mesa de trabalho.

— Assine.

— O que é isso?

Sérgio ia baixar a cabeça para ler os detalhes quando, subitamente, um grito desesperado de Sabrina veio do lado de fora. O rosto dele mudou de cor e ele fez menção de sair correndo.

Larissa agarrou o braço dele com força. — Assine primeiro.

— Larissa! Minha assistente sofreu um acidente, preciso ver o que houve.

— Assine antes de ir — disse ela com a voz fria, apertando os dedos.

Sérgio soltou um suspiro de irritação e, sem sequer olhar o conteúdo, pegou a caneta e rabiscou seu nome de qualquer jeito no final da página. Atirou a caneta de lado e correu para a porta, deixando apenas uma frase para trás:

— Larissa, quando foi que você se tornou tão insensível?

 

Ao guardar o acordo de divórcio assinado, Larissa soltou um longo suspiro de alívio. O fato de Sérgio não ter lido o conteúdo poupou-a de muitas discussões falsas e drama. Assim era melhor; no próximo mês, ela poderia partir livre de qualquer peso.

Ao sair do escritório, ela viu Sérgio pegando Sabrina nos braços e correndo para o elevador sem olhar para trás. Provavelmente, a "frágil" gestante havia sofrido um pequeno esbarrão e temia pelo bebê.

Larissa ficou parada, observando-os desaparecer. Quando a porta do elevador se fechou, Sérgio não olhou para ela nem por um segundo. Seu coração sentiu um vazio momentâneo. Houve um tempo em que ela sonhou em ter um filho com ele, imaginando como ele ficaria ansioso se algo acontecesse durante sua gravidez. Agora, ela via essa ansiedade de perto, mas não era por ela.

A sinceridade humana muda como o vento. O homem que antes só tinha olhos para ela havia sido enterrado pelo tempo. — Esqueça, considere que ele morreu — pensou ela.

Larissa suspirou, pegou outro elevador e dirigiu até o hospital. Anos de treinamento intensivo no gelo deixaram-na com lesões antigas que exigiam fisioterapia regular. Hoje era justamente o dia de seu retorno agendado.

Após uma sessão de reabilitação, ela saiu do centro de terapia com o corpo dolorido. Para sua surpresa, encontrou Sabrina Mendes perto do lago artificial no jardim dos fundos do hospital.

A outra claramente a esperava. Com um sorriso cínico, Sabrina aproximou-se rapidamente: — Srta. Queiroz, o tempo está bom hoje, que tal darmos um passeio?

Larissa não queria prolongar o contato e seguiu em frente. No entanto, Sabrina a seguiu, começando a se gabar com arrogância:

— Eu disse ao Sérgio que foi só um esbarrão na mesa, nada demais, mas ele insistiu em ficar todo nervoso e me trazer ao hospital para um exame, que exagero...

Larissa parou subitamente e olhou para ela com frieza: — Se veio aqui para se exibir, não perca seu tempo. O que vocês fazem me causa nojo.

Sabrina sorriu de forma ainda mais petulante: — Eu diria que vocês, esposas legítimas, são muito tolerantes. O marido tem um filho com outra e vocês continuam firmes como rochas. Se fosse eu, já teria desmaiado de raiva.

Larissa ignorou o comentário e tentou passar, mas Sabrina agarrou seu pulso.

— Srta. Queiroz, você não planeja mesmo continuar vivendo com o Sérgio desse jeito e criar meu filho por mim, planeja? — Ela baixou a voz com um sorriso malévolo: — Vou te dizer: sem chance. Sérgio e eu já estivemos juntos... ele disse que eu sou muito mais interessante que você. Substituir você é apenas uma questão de tempo.

Larissa, furiosa, desvencilhou-se da mão dela: — Eu já disse que não quero ouvir!

Inesperadamente, com esse leve empurrão, Sabrina tombou para trás. Por ser uma gestante, Larissa instintivamente tentou segurá-la para evitar a queda. No entanto, Sabrina agarrou o braço de Larissa em um contra-ataque, e ambas caíram juntas no lago atrás delas, provocando um grande estrondo na água.

A água gelada invadiu imediatamente sua boca e nariz. Larissa não sabia nadar e seu corpo começou a afundar descontroladamente. Sabrina, agindo como um espírito vingativo, agarrava suas roupas e sussurrava em seu ouvido com um riso macabro: — Adivinha quem ele vai salvar primeiro?

Larissa lutou para erguer a cabeça e, com a visão embaçada, viu Sérgio correndo desesperado em sua direção, com o rosto tomado pelo pânico.

Sabrina, que claramente sabia nadar, começou a debater-se com força, soltando gritos agoniados e estridentes:

— Sérgio! Socorro... Salve o nosso filho!

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